A ativista iraniana de direitos humanos Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2023, foi novamente condenada no Irã. Desta vez, a sentença adiciona sete anos e meio de prisão à sua já longa ficha judicial. Esta é a oitava condenação contra ela em 25 anos de ativismo contra o regime de Teerã.
O histórico de condenações e o ativismo
Mohammadi é uma voz proeminente contra a pena de morte no país e o rigoroso código de vestuário imposto às mulheres. Seu advogado, Mostafa Nili, confirmou a nova decisão, que ele considera passível de recurso.
Ela já havia sido detida anteriormente, e seu advogado, Mostafa Nili, afirmou que ela foi condenada a seis anos de prisão por “reunião e conspiração para cometer crimes”, com uma proibição de dois anos de sair do país. Outra sentença incluiu 18 meses de prisão por “atividades de propaganda” e dois anos de exílio. Segundo a lei iraniana, as penas de prisão não são cumpridas consecutivamente.
Preocupações com a saúde e greves de fome
A saúde de Narges Mohammadi é uma preocupação constante, levando o advogado Mostafa Nili a esperar por uma libertação temporária sob fiança para tratamento médico. Em dezembro passado, ela chegou a ser liberada por três semanas devido a uma condição física após a remoção de um tumor e um enxerto ósseo.
Atualmente, a ativista está em greve de fome há uma semana, uma de muitas em sua trajetória. Ela reivindica direitos básicos, como o de fazer telefonemas, ter acesso a advogados no Irã e receber visitas, conforme relatado por sua advogada Chirinne Ardakani.
Pressão sobre a família e isolamento
Em janeiro, Narges Mohammadi denunciou, de dentro da prisão, uma operação de pressão das autoridades na casa de seu irmão em Mashhad. A fundação com o nome da Prêmio Nobel da Paz, através da rede social X, confirmou a invasão e busca na residência, parte de uma crescente pressão sobre sua família.
A ativista não vê seus dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015. O último contato telefônico com a família foi em 14 de dezembro, e informações sobre sua greve de fome chegaram por meio de um prisioneiro libertado.
A agência de notícias Efe reportou que a detenção de Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica. Isso é especialmente perigoso, dado seu histórico de problemas cardíacos, que já colocou sua vida em grave perigo. Um prisioneiro recém-libertado descreveu o estado físico de Narges Mohammadi e de sua companheira, Pouran Nazemi, como “alarmante”.