Um novo estudo internacional revela dados alarmantes sobre o câncer no Brasil. Cerca de 43,2% dos óbitos pela doença no país, ou seja, mais de 100 mil vidas, poderiam ter sido evitados. Medidas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso a tratamento adequado são cruciais para mudar esse cenário.
Entenda o Impacto no Brasil
A pesquisa estima que, dos diagnósticos de câncer em 2022, aproximadamente 253,2 mil casos devem resultar em morte nos próximos cinco anos. Desses, impressionantes 109,4 mil óbitos poderiam ter sido evitados. Este dado sublinha a urgência de políticas públicas de saúde mais eficazes.
As mortes evitáveis são divididas em dois grupos principais. 65,2 mil óbitos são classificadas como preveníveis, ou seja, a doença poderia nem ter se desenvolvido. As outras 44,2 mil mortes seriam evitáveis por meio de diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Onde o Estudo Foi Publicado?
Intitulado “Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo”, o estudo faz parte da edição de março da renomada revista científica The Lancet. Esta é uma das publicações médicas mais conceituadas globalmente, garantindo a credibilidade dos dados apresentados.
O artigo completo está disponível para consulta na internet, sendo assinado por 12 autores, incluindo pesquisadores da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Para acessar a pesquisa na íntegra, clique aqui: Acesse o estudo na The Lancet.
Visão Global: Câncer no Mundo
O levantamento apresenta um olhar abrangente sobre o câncer, analisando 35 tipos da doença em 185 países. Em termos mundiais, o percentual de óbitos evitáveis é ainda maior, chegando a 47,6%. Isso representa que, dos 9,4 milhões de mortes causadas pela doença, quase 4,5 milhões poderiam ser evitadas.
Desse total global, uma em cada três mortes (33,2%) é considerada prevenível. Os outros 14,4% poderiam ser evitados com diagnóstico precoce e acesso a tratamento adequado, reforçando a importância de intervenções em saúde.
Principais Fatores de Risco
Os pesquisadores apontam cinco fatores de risco cruciais que aumentam a chance de desenvolver a doença e estão ligados a mortes preveníveis: tabaco, consumo de álcool, excesso de peso, exposição à radiação ultravioleta e infecções (causadas por vírus como HPV e hepatite, e pela bactéria Helicobacter pylori).
Disparidades Globais e o Papel do IDH
O estudo destaca grandes disparidades entre países e regiões. Enquanto nações do norte da Europa, como Suécia (28,1%), Noruega (29,9%) e Finlândia (32%), têm índices próximos a 30% de mortes evitáveis, o cenário é muito diferente em outras partes do mundo.
No extremo oposto, as maiores proporções de mortes evitáveis são encontradas em países africanos. Serra Leoa (72,8%), Gâmbia (70%) e Malaui (69,6%) lideram, com sete em cada dez mortes podendo ser evitadas com mais prevenção, melhor diagnóstico e acesso a tratamento.
IDH e Qualidade de Vida
A relação entre mortes evitáveis e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é clara. Em países de baixo IDH, que indicam pior qualidade de vida, 60,8% das mortes por câncer poderiam ter sido evitadas. O Brasil, classificado como país de alto IDH, apresenta um percentual de 40,5% de mortes evitáveis nesse grupo.
Uma das disparidades mais notáveis é no câncer de colo do útero. Em países de baixo e médio IDH, ele é o principal na lista de mortes evitáveis. Já em nações de IDH muito alto, ele sequer aparece entre os cinco tipos mais letais, demonstrando o impacto da prevenção e acesso à saúde.
Principais Tipos de Câncer com Mortes Evitáveis
O estudo publicado na The Lancet estima que 59,1% das mortes evitáveis estão relacionadas a cinco tipos de câncer: pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero.
Quando analisados apenas os casos que poderiam ser prevenidos, o câncer de pulmão é o maior causador de óbitos, com 1,1 milhão de mortes e representando 34,6% de todas as mortes preveníveis. O câncer de mama nas mulheres também se destacou entre os tipos com mais mortes tratáveis.