Uma imagem de jogadores da Argentina erguendo uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas”, após a vitória da seleção sobre a Inglaterra por 2 a 1, percorreu o mundo na quarta-feira (15).
O ato, ocorrido na semifinal da Copa do Mundo, pode gerar punições severas da Federação Internacional de Futebol (Fifa). No entanto, fora dos gramados, reacendeu intensamente a discussão sobre a posse do arquipélago ultramarino.
As ilhas são reivindicadas pela Argentina, mas estão atualmente sob administração da Grã-Bretanha.
As Malvinas: Entenda a disputa histórica
As Ilhas Malvinas/Falklands, localizadas a 500 quilômetros da costa argentina no Oceano Atlântico Sudoeste, são objeto de uma disputa territorial de décadas entre os dois países.
Em 1982, Argentina e Reino Unido travaram uma guerra de 74 dias, que resultou em centenas de mortos, majoritariamente soldados argentinos. A derrota militar deixou a questão como uma “ferida aberta” para a Argentina.
Quatro anos após o conflito, na Copa do Mundo de 1986, a vitória da seleção argentina sobre a Inglaterra por 2 a 1, com dois gols de Diego Maradona, foi amplamente encarada como uma revanche simbólica.
O astro argentino Diego Maradona levanta o braço ao ar após marcar o gol da vitória contra a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo no México, em 22 de junho de 1986. REUTERS/POOL/Ted Blackbrow – REUTERS/POOL/Ted Blackbrow/proibida reprodução
Repercussão e análises sobre o gesto dos jogadores
A perspectiva argentina
Para a diplomata e ex-embaixadora da Argentina no Reino Unido, Alicia Castro, o gesto dos jogadores “tornou-se um feito compartilhado por todo o povo argentino”. Ela acrescenta que o ato demonstrou uma “luta contra o colonialismo” e um “profundo senso de humanidade”.
Castro comparou o ato ao do técnico egípcio Hossam Hassan, que ergueu uma bandeira da Palestina sem ser punido, já que a seleção palestina é afiliada à Fifa.
O cientista político Leandro Gabiati ressalta que as Malvinas estão sempre presentes nos cânticos das torcidas e em campeonatos. Segundo ele, essa é uma “agenda que unifica o país”, superando qualquer divergência ideológica.
O ex-secretário das Malvinas do governo argentino, Guillermo Carmona, classificou o ato como “soft power”, visando destravar negociações. Ele argumenta que a gestão britânica das Malvinas é “anacrônica” e que o gesto deveria “despertar os diplomatas britânicos de sua inércia”.
Punições da Fifa e pressões internacionais
A Organização das Nações Unidas (ONU) defende uma solução pacífica para o conflito, no âmbito das ações de descolonização. No Reino Unido, o colunista Simon Jenkins, do jornal The Guardian, pediu negociações, apontando o custo aos contribuintes de mais de 60 milhões de libras anuais para a manutenção do território.
Apesar dos pedidos de punição por autoridades britânicas, especialistas como Carmona consideram a aplicação de regras da Fifa hipócrita. Ele cita o banimento da Rússia, a suspensão de sanções aos Estados Unidos e o tratamento do Irã como exemplos de conveniência.