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Início » Pesquisa revela abismo de desigualdade na formalização do trabalho jovem no Brasil
Brasil

Pesquisa revela abismo de desigualdade na formalização do trabalho jovem no Brasil

Nrb NewsPor Nrb News21 de agosto de 20264 Minutos de Leitura
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© Tomaz Silva/Agência Brasil

A formalização no mercado de trabalho para jovens brasileiros de 16 a 29 anos é marcada por profundas desigualdades. Esta realidade foi descrita pela pesquisa “Juventudes e o Mundo do Trabalho”.

O estudo foi realizado pela Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva. Os resultados foram divulgados em 21 de julho, no evento “Trampos do Futuro” em São Paulo, ouvindo 1.816 jovens de todo o país.

O retrato do trabalho jovem no Brasil

Entre os 70% de jovens que declararam estar trabalhando, 44% possuem carteira assinada. Contudo, 15% são assalariados sem registro formal e 13% atuam como autônomos ou freelancers.

Outros 10% estão em trabalhos informais e 8% são estagiários ou aprendizes remunerados. Além disso, 20% dos jovens buscam trabalho ativamente, e 61% tentaram uma nova colocação no último ano.

Entregadores de aplicativo trabalham na região do Centro do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Desigualdades alarmantes: classe, região e raça

Impacto da classe social

Jovens das classes A/B representam 43% dos que trabalham formalmente, enquanto os das classes D/E somam 35%. Esta diferença acentua as disparidades no acesso ao emprego regulamentado.

Por outro lado, 21% dos jovens das classes D/E trabalham sem registro formal. Esse percentual é significativamente menor nas classes A/B, atingindo 13%.

Disparidades regionais

A formalização é mais comum entre os jovens do Sul (58%) e Sudeste (55%) do país. No Norte, apenas 29% dos jovens têm emprego formal, e no Nordeste, o índice é de 20%.

Diferenças raciais e educacionais

Entre os jovens brancos, 49% possuem emprego formal, contra 41% entre os negros. A disparidade se inverte nos trabalhos informais.

O percentual de jovens negros que dependem de bicos informais é de 12%, enquanto o de brancos é de 5%. A escolaridade também influencia esse cenário.

Trabalhar em bicos é a realidade para 34% dos jovens com ensino fundamental. Em contraste, apenas 3% daqueles com nível superior atuam nesse tipo de ocupação.

Barreiras para conseguir emprego

Quase metade (49%) dos entrevistados aponta a falta de experiência como principal barreira para conseguir emprego. A alta concorrência por vagas é a segunda maior dificuldade, citada por 39%.

A maioria dos jovens, 96%, acredita que conhecer alguém na empresa ou ser indicado por familiares/amigos ajuda a conseguir um emprego. Esta percepção é crucial no cenário atual.

De fato, 77% afirmaram ter conseguido seu emprego atual por indicação. Este índice sobe para 81% entre os mais velhos (25 a 29 anos), mostrando o peso das redes de contato.

Sonhos e planos para o futuro profissional

Atualmente, 30% dos jovens brasileiros desejam um emprego com carteira assinada. Contudo, essa preferência muda drasticamente ao considerar os próximos cinco anos.

Em cinco anos, a busca por carteira assinada cai para 16%, enquanto a preferência por trabalho autônomo cresce de 28% para 42%. A gerente do Observatório da Fundação Itaú, Carla Chiamareli, comenta essa mudança.

“O jovem entende que precisa começar com estabilidade para adquirir experiência, e depois pode escolher estar dentro de uma empresa ou não”, explicou Carla à Agência Brasil. Ela enfatiza que o desejo não é por instabilidade.

Para Chiamareli, o trabalho autônomo não significa precarização. “É ter uma empresa, ser dono de um negócio. Faz parte do sonhar”, afirma. Ela destaca o desejo por estabilidade e boa remuneração.

O interesse por trabalho autônomo futuro é maior entre jovens com filhos (50%), das regiões Sul (49%) e Centro-Oeste (48%), e brancos (45%). Moradores do interior (45%) também se destacam.

Já o emprego com carteira assinada é mais desejado por jovens das classes D/E (23%), com ensino fundamental (22%) e juventudes negras (18%). Estes perfis buscam maior segurança.

A maioria dos jovens (91%) acredita que sua situação financeira estará melhor daqui a cinco anos. Além disso, 88% confiam em uma condição financeira superior à dos pais, reconhecendo a necessidade de mais estudo para o sucesso profissional.

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