O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), desmarcou o julgamento que analisaria a atuação de André Mendonça no caso Master. A sessão estava prevista para a próxima quarta-feira (23) e foi retirada da pauta nesta quinta-feira.
A decisão de Fachin foi motivada pela ‘direta relação’ do processo com uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes. Mendes sugeriu o julgamento conjunto das investigações sobre Mendonça e Alexandre de Moraes.
O Contexto da Crise no STF
Gilmar Mendes defendeu que os pedidos de investigação contra Mendonça e Moraes são correlatos e deveriam ser julgados em conjunto. O plenário iniciou a votação sobre essa proposta, mas o processo foi interrompido.
Com placar de 4 a 3 para o julgamento em separado, o ministro Flávio Dino solicitou um pedido de vista, adiando a conclusão. Fachin, anteriormente, havia negado um pedido de Moraes para unificar os casos.
Os Casos em Análise
A investigação sobre André Mendonça apura sua conduta como relator do caso Master, que teve origem na Operação Compliance Zero. Esta operação da Polícia Federal (PF) investiga corrupção e fraudes financeiras supostamente praticadas por Daniel Vorcaro.
Já o caso envolvendo Alexandre de Moraes busca esclarecer um suposto elo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes alega que a análise da relatoria de Mendonça impacta diretamente a análise de seu próprio processo.
A Polêmica das Mensagens e o Conflito em Plenário
A crise institucional no STF intensificou-se após Mendonça levantar o sigilo de um relatório da PF em 1º de setembro. O documento revelava 52 mensagens que, segundo investigadores, teriam sido trocadas entre Vorcaro e Moraes.
Nas mensagens, Daniel Vorcaro indicava uma relação próxima com Moraes, mencionando o envio de um contrato de R$ 131 milhões. O contrato seria do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O ex-banqueiro também parecia buscar informações sobre uma iminente operação de prisão, que de fato ocorreu em 17 de novembro de 2025. As respostas do interlocutor, contudo, não foram recuperadas pela investigação.
Em sessão plenária, Moraes reiterou que nunca dialogou com Vorcaro, questionando a autenticidade e o envio das supostas mensagens. Ele negou qualquer vínculo com o ex-banqueiro.
Durante a sessão, Moraes confrontou Mendonça, acusando-o de ter motivado a inclusão de seu nome em uma possível delação premiada por razões políticas. Mendonça prontamente refutou a alegação, classificando-a como mentirosa.