O mercado financeiro brasileiro enfrentou um dia de forte volatilidade na quarta-feira (3), com a bolsa em queda acentuada e o dólar em alta expressiva.
A aversão global ao risco, intensificada pelas tensões no Oriente Médio e pelas incertezas comerciais dos Estados Unidos, dominou as negociações.
O Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de 2,22%, fechando aos 170.330 pontos. Simultaneamente, o dólar comercial valorizou-se 1,14%, encerrando o pregão a R$ 5,067.
Ibovespa em forte queda
Após uma breve recuperação na terça-feira (2), o Ibovespa devolveu os ganhos, marcando sua maior perda diária desde 7 de maio.
Durante o pregão, o índice chegou a tocar a mínima de 170.007 pontos, mas conseguiu se manter acima dos 170 mil pontos ao final do dia.
Este resultado levou a bolsa ao seu menor nível desde 20 de janeiro. Na semana, o índice acumula queda de 1,99%, reduzindo seu avanço em 2026 para 5,71%.
O mau humor dos investidores foi influenciado pelo desempenho negativo das bolsas estadunidenses, que interromperam uma sequência de recordes recentes.
O agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, junto à proposta de novas tarifas comerciais dos EUA contra o Brasil, contribuiu para a deterioração do cenário.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) já havia recomendado uma taxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras e avançou com uma nova proposta tarifária focada no combate ao trabalho forçado.
Dólar avança com busca por segurança
No mercado de câmbio, o dólar ganhou força significativa, impulsionado pela crescente procura global pela moeda americana.
A divisa atingiu a máxima de R$ 5,09 durante a tarde, fechando o dia no maior nível desde 8 de abril.
O real figurou entre as moedas emergentes com pior desempenho, afetado pela saída de capital da bolsa brasileira e pela postura mais defensiva dos investidores antes do feriado de Corpus Christi.
A valorização do dólar no exterior, motivada por dados econômicos robustos nos EUA e pela expectativa de juros elevados por mais tempo, também impulsionou sua alta.
Apesar da elevação nesta quarta-feira, o dólar ainda registra queda acumulada de 7,69% frente ao real em 2026.
Petróleo em alta impulsionado por tensões
Os preços do petróleo voltaram a subir, reflexo das incertezas sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã e da continuidade dos confrontos no Estreito de Ormuz.
Este estreito é uma rota estratégica crucial para o comércio global de energia, e os riscos de interrupções no fornecimento global cresceram.
O barril do Brent avançou 1,89%, encerrando o dia cotado a US$ 97,81. O WTI, do Texas, subiu 2,4%, fechando a US$ 96,02.
O mercado permanece vigilante quanto ao risco de interrupções no fornecimento, cenário que alimenta preocupações inflacionárias e a cautela dos investidores globalmente.
Com informações da Reuters