O Brasil não aceita a nova tarifa de **12,5%** imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, conforme declarou Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Ele classificou a medida como “indevida”, baseada em argumentos que “não são reais”, e anunciou que o governo buscará reverter a decisão por negociações, sem descartar medidas de reciprocidade.
Entenda a tarifa e a justificativa americana
A nova sobretaxa foi anunciada sob a justificativa de que o Brasil não adota mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
A alíquota de **12,5%** entrou em vigor na sexta-feira (24) e, para parte das exportações brasileiras, será somada à tarifa de **25%** já existente, totalizando **37,5%** de taxação.
Brasil contesta acusação e defende sua política
Márcio Elias Rosa afirmou que o Brasil possui uma política consolidada de combate ao trabalho escravo e rejeitou veementemente as justificativas americanas.
“O Brasil tem compromissos históricos com o combate ao trabalho forçado, com a prevenção, o controle, a fiscalização e o acolhimento das vítimas”, declarou o ministro.
Ele destacou que o país é signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e que a tarifa foi construída sobre uma premissa equivocada.
Setores da indústria brasileira mais afetados
Apesar de uma extensa lista de produtos isentos, diversos setores da indústria brasileira serão atingidos pela cobrança acumulada de **37,5%**.
Entre os mais afetados estão **calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos que não sejam farmacêuticos**.
Em contrapartida, produtos como carne bovina, café, suco de laranja e frutas permanecem fora tanto da tarifa de **25%** quanto da nova sobretaxa de **12,5%**, totalizando cerca de 2 mil produtos isentos.
O MDIC ainda não divulgou a lista completa dos produtos que sofrerão a dupla tarifação, mas continua o levantamento para identificar todos os itens afetados.
Diálogo prioritário e possíveis medidas de reciprocidade
O governo brasileiro priorizará o diálogo com Washington para tentar reverter as tarifas, mas não abrirá mão dos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.
Esta lei, sancionada este ano, permite que o Brasil responda a medidas comerciais consideradas injustificadas, protegendo a economia e os interesses nacionais.
Próximos passos e apoio às empresas
A prioridade é apoiar os setores mais afetados, buscar novos mercados e preparar a estratégia jurídica e diplomática do país.
O governo planeja retomar as conversas com autoridades americanas no próximo mês, após concluir a avaliação dos impactos nas exportações.
Empresas atingidas poderão acessar recursos do programa **Brasil Soberano**, que disponibilizou **R$ 18,5 bilhões** em crédito para capital de giro, investimentos, inovação e abertura de novos mercados.