O Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de existência, consolidando-se como um marco do carnaval de rua em Brasília. O que começou como um som eletrônico em um carrinho, hoje é um movimento que ressignifica o espaço público da capital federal.
A origem de um movimento
Em 2009, o Aparelhinho surgiu inspirado nas aparelhagens do Pará, em uma cidade onde se dizia que “não tinha carnaval”. O DJ Rafael Ops, um dos fundadores, expressou em entrevista à Rádio Nacional FM de Brasília o amor pela cidade e a vontade de ver a folia acontecer nas ruas.
Ops explicou a essência do bloco: “Assim como uma fanfarra que toca sua flauta, seu instrumento pela rua, a gente quer sair empurrando nosso carrinho pela rua também”.
Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, os Djs, Rodrigo Barat (e) e Rafael Ops (d) – Joédson Alves/Agência Brasil
A evolução do Aparelhinho
O primeiro carrinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Rafael Ops, então estudante de artes cênicas, colaborou com o arquiteto Gustavo Góes para criar o projeto inicial.
Ele não era um trio elétrico, mas um objeto empurrável capaz de ocupar diversos espaços urbanos. “Chegamos no primeiro ano sem expectativa nenhuma e tivemos um ano maravilhoso. Já de cara, a cidade amou o projeto e hoje estamos aí completando 15 anos”, celebrou Ops.
Ao longo dos anos, a estrutura evoluiu para uma versão mais tecnológica e visualmente impactante, ostentando as cores azul e laranja do bloco. O Aparelhinho já se reinventou como carrinho de madeira, de ferro, online na pandemia, charrete, trio e carreta, mostrando sua versatilidade.
Evolução do Bloco Aparelhinho – bloco.aparelhinho/Instagram
Atualmente, o bloco conta com apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal para desfilar. Cerca de 100 pessoas estão envolvidas na organização do evento.
O impacto na cultura brasiliense
Bruna defende a importância de formar novos públicos carnavalescos para que a folia possa dominar a cidade uma vez por ano – Joédson Alves/Agência Brasil
A publicitária Bruna Daibert, frequentadora desde 2012, expressa seu carinho pelo Aparelhinho. “É o bloco em que encontro meus amigos, que a gente está em casa, que trago minha filha, que eu faço questão de vir”, disse, destacando a importância de formar novos públicos carnavalescos.
Bruna se refere à contínua discussão sobre a ocupação dos espaços públicos pelo carnaval de rua. Enquanto alguns defendem a festa em todos os lugares, outros preferem a concentração em pontos fixos devido a barulho e limpeza.
Em 2023, o tradicional Galinho de Brasília cancelou seu desfile por restrições de trajeto em quadras residenciais. Bruna defende: “Acho que a gente tem que ocupar a cidade inteira, é uma vez por ano. Deixa o carnaval acontecer, é tão bonito, tão colorido, tão feliz”.
A trilha sonora que arrasta multidões
O aniversário do bloco no Setor Bancário Sul foi embalado por uma rica seleção musical dos DJs fundadores: Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata. Convidados como Biba, Mica e Pororoca DJs também animaram a festa.
Rodrigo Barata descreve a linguagem sonora como de base eletrônica, abrangendo uma vasta gama de ritmos. O repertório inclui remixes de frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, rock and roll e diversas vertentes da música eletrônica.
Iago Roberto diz que o carnaval brasiliense não o decepcionou – Joédson Alves/Agência Brasil
Para o cozinheiro Iago Roberto, que vivencia seu primeiro carnaval em Brasília, a experiência superou as expectativas. “Não escuto [música eletrônica] no dia a dia, mas estou curtindo. Só a energia da galera nesse lugar já está maravilhosa”, afirmou Iago, que voltou ao Brasil após três anos no exterior.