As duas edições do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) estão tornando o serviço público brasileiro mais representativo da sociedade. Essa é a avaliação da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
Em balanço apresentado nesta terça-feira (17) em Brasília, a ministra destacou o propósito dos certames: “reconstruir a capacidade de fazer políticas públicas” e “trazer para dentro do serviço público brasileiro pessoas que representem toda a nossa diversidade, seja regional, seja étnica ou racial, seja de gênero”.
Recorde de inclusão por cotas
A última edição do CNU registrou um marco na inclusão: quatro de cada dez pessoas aprovadas são oriundas das cotas legais. Isso representa um total de 40,5% dos aprovados nas vagas reservadas.
Detalhadamente, os aprovados por cotas incluem: 29,7% de pessoas negras, 2% indígenas, 1,2% quilombolas e 7,6% com deficiência. Esse percentual no CNU 2025 (40,5%) superou o da edição de 2024 (33,6%), evidenciando um crescimento na diversidade.
Avanço na representatividade de gênero e regional
A participação feminina no serviço público também cresceu significativamente. O percentual de mulheres aprovadas saltou de 37% para 48,4% entre as duas edições do concurso.
Houve também um aumento na representatividade regional, com o Nordeste passando de 26% para 29,3% dos aprovados. O Sudeste, com 34,5%, e o Centro-Oeste, com 25,3%, mantiveram forte presença.
As regiões Norte e Sul foram origem de 5,2% e 5,7% dos aprovados, respectivamente. Os selecionados no CNU 2025 vêm de 578 cidades diferentes, abrangendo mais de 10% dos municípios brasileiros.
Equilíbrio fiscal e desafios de pessoal
Desde 2023, 19.381 pessoas ingressaram no serviço público, enquanto 16.546 servidores se aposentaram, resultando em um saldo positivo de 2.835 servidores na administração pública federal.
No entanto, este número ainda está longe de repor as perdas históricas. Entre 2016 e 2022, o serviço público federal perdeu um total de 73.580 servidores. A ministra Esther Dweck alerta para a possibilidade de essa carência se agravar com as projeções de aposentadorias para 2026 e 2030.
Apesar dos desafios, as novas contratações e remunerações respeitam rigorosamente o arcabouço fiscal, conforme a Lei Complementar nº 200/2023. Esta lei limita o aumento real dos gastos públicos a entre 0,6% e 2,5% ao ano.
Diante da carência de pessoal, a ministra defende a realização de novos concursos, especialmente para professores e técnicos de universidades e institutos federais, garantindo que “Não tem como não fazer dentro das regras fiscais”.