Entidades representativas de jornalistas brasileiros repudiaram veementemente as agressões e ameaças sofridas por profissionais da imprensa. Os ataques ocorreram durante a cobertura da internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em um hospital particular de Brasília.
Graves ataques a profissionais da imprensa
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção imediata para os profissionais.
Segundo a Abraji, as hostilidades intensificaram-se após uma influenciadora bolsonarista divulgar um vídeo. Nele, jornalistas na porta do Hospital DF Star eram acusados de desejar a morte do ex-presidente.
O vídeo irresponsável foi amplamente compartilhado por parlamentares e pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ela possui mais de 8 milhões de seguidores nas redes sociais.
A Abraji classificou a divulgação do material como um gesto “irresponsável” e “sem qualquer verificação prévia”. A associação destacou que o registro foi deturpado, expondo jornalistas que estavam apenas “exercendo seu trabalho” a ameaças e difamações.
Ameaças além do ambiente digital
As agressões não se limitaram ao ambiente online, de acordo com a Abraji. Ao menos duas repórteres foram atacadas fisicamente após serem reconhecidas na rua.
Montagens e vídeos com uso de inteligência artificial também foram divulgados, simulando até mesmo o esfaqueamento de uma profissional. Fotos de filhos e parentes de jornalistas estão sendo usadas para intimidação e assédio.
Entidades cobram proteção e investigação
Fenaj e SJPDF reforçaram em nota que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos de interesse jornalístico. As entidades solicitarão reforço da Polícia Militar na frente do hospital.
O objetivo é impedir o “cerceamento e agressões” ao trabalho da imprensa por parte de militantes. Elas exigem apuração rigorosa das ameaças para identificar e punir os autores das ameaças virtuais e da exposição indevida de dados.
As entidades também cobram que as empresas de jornalismo proporcionem condições de trabalho seguras aos seus empregados. Isso inclui afastá-los do hospital se não se sentirem seguros e oferecer apoio jurídico.
“A liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia. O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público, e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica”, concluíram as entidades.
A Agência Brasil tentou contato com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e com a Polícia Civil para verificar registros de boletins de ocorrência, mas não obteve retorno.
Internação do ex-presidente Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star desde a manhã de sexta-feira (13). Ele trata uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa.
Seu quadro clínico é considerado estável, e houve melhora da função renal. No entanto, a elevação dos marcadores inflamatórios levou à ampliação da dosagem de antibióticos.
Não há previsão para sua saída da UTI. Após a alta hospitalar, ele deverá retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.