O BioParque Vale Amazônia, localizado na Serra do Carajás, em Parauapebas (PA), celebra o nascimento de seu mais novo morador: um filhote de onça-pintada batizado de Xingu. Nascido em 27 de dezembro do ano passado, Xingu é fruto do casal Marília e Zezé, e irmão de Rhuana e Rhudá.
A oncinha-macho recebeu seu nome indígena, escolhido por votação popular, como uma homenagem ao rio Xingu, um dos mais importantes afluentes do rio Amazonas. Este rio vital atravessa os biomas Amazônia e Cerrado, sustentando diversas comunidades tradicionais.
Parauapebas (PA, 04/04/2026 – Nascida em dezembro no BioParque Vale Amazônia, onça-pintada recebe o nome de Xingu. Foto: Bioparque Vale Amazônia/Divulgação
Os pais de Xingu: uma história de resgate e conservação
Os pais de Xingu, Marília e Zezé, têm uma história de resiliência. Marília foi resgatada de cativeiro ilegal, e Zezé nasceu em uma instituição em Goiás, filho de pais também resgatados. Devido à influência humana, eles não podem ser reintroduzidos na natureza, perdendo habilidades essenciais para a vida selvagem.
A reprodução de onças-pintadas em cativeiro, como a de Xingu, é uma importante estratégia nacional de preservação. Essa iniciativa visa proteger a espécie, que é um símbolo da fauna brasileira e está ameaçada de extinção.
Rejânia Azevedo, analista administrativa do BioParque, esclarece que nenhum animal é retirado da natureza. “Eles vêm através dos órgãos ambientais, de cativeiros ilegais, de apreensões”, explica. Alguns chegam bem, mas outros necessitam de um intenso processo de acompanhamento e atendimento.
O futuro de Xingu no BioParque
Por ter nascido em cativeiro, Xingu também não poderá ser readaptado para a natureza. Ele permanecerá no BioParque ou será destinado a outro zoológico, contribuindo para os programas de conservação da espécie.
Atualmente, Xingu tem três meses de idade e está na área de manejo, sob os cuidados de sua mãe, longe do público. Somente ao atingir cinco ou seis meses de idade, Marília ensinará o filhote a interagir na área de exposição.
A onça-pintada adulta, o maior felino das Américas, pode atingir até 1,90 metro de comprimento, 80 centímetros de altura e pesar até 135 quilos.
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BioParque Vale Amazônia: 41 anos de dedicação à biodiversidade
Inserido na Floresta Nacional de Carajás (Flona de Carajás) e mantido pela Vale, o BioParque Vale Amazônia completou 41 anos de existência. O espaço abrange 30 hectares, com aproximadamente 70% de floresta nativa.
O parque é membro da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e colabora com os Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas do ICMBio. Ele segue metas nacionais e internacionais focadas na preservação da biodiversidade.
Atualmente, o BioParque abriga 360 animais de 70 espécies diferentes. Entre eles está a famosa Chicó, uma macaca-aranha cuja história de superação emociona a todos.
A emocionante história de Chicó, a macaca-aranha
Chicó é um exemplo da dedicação do BioParque. Resgatada no Mato Grosso após 18 anos de cativeiro ilegal, onde era maltratada e até recebia cachaça em um bar, ela chegou ao parque em estado crítico.
Rejânia conta que Chicó não tinha hábitos de macaco, não sabia usar sua cauda, essencial para a espécie. Graças a um intenso trabalho de reabilitação realizado por biólogos e veterinários no setor de quarentena, Chicó reaprendeu a ser um animal de sua espécie, transformando sua triste história em um final feliz.