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Início » Governo suspende dragagem do Rio Tapajós após forte mobilização indígena
Brasil

Governo suspende dragagem do Rio Tapajós após forte mobilização indígena

Nrb NewsPor Nrb News7 de fevereiro de 20263 Minutos de Leitura
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© Divulgação TV Brasil

O governo federal suspendeu, nesta sexta-feira (6), o processo de contratação para a dragagem do Rio Tapajós, no Pará. Esta decisão é uma resposta direta às mobilizações de povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações sociais da região.

A suspensão foi comunicada em nota oficial conjunta, assinada pelos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).

Mobilização e principais reivindicações

Por mais de 15 dias, grupos liderados por indígenas mantiveram ocupações e protestos em Santarém, no oeste paraense. A principal demanda dos manifestantes era a revogação do Decreto 12.600.

Este decreto, editado no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê a concessão da hidrovia do Rio Tapajós à iniciativa privada. Embora seja um corredor logístico vital para o agronegócio, o projeto enfrenta forte resistência das comunidades ribeirinhas.

O Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA) estima que cerca de 7 mil indígenas, de 14 etnias diferentes, vivem no Baixo Tapajós.

O que diz o governo federal?

Na nota, os ministros informaram que a suspensão da dragagem é um gesto de negociação com os povos mobilizados. No entanto, o governo frisou que essas obras não possuem relação direta com a concessão da hidrovia.

As operações de dragagem são consideradas ações de rotina, realizadas em anos anteriores para garantir o tráfego fluviário durante os períodos de baixa das águas no Tapajós. Elas são distintas dos estudos de concessão da hidrovia, previstos no Decreto 12.600.

Compromissos e diálogo com as comunidades

O governo federal reiterou o compromisso de que qualquer empreendimento futuro ligado à hidrovia do Tapajós será precedido de consulta livre, prévia e informada. Este compromisso havia sido assumido durante a COP30, em Belém, no ano passado, após protestos indígenas.

As consultas seguirão rigorosamente os termos da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Grupo de trabalho e cronograma

Diante das mobilizações, o governo confirmou o envio de representantes a Santarém para estabelecer um processo de negociação com os manifestantes. Este diálogo será acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF).

Também foi anunciada a criação de um grupo de trabalho interministerial. Ele contará com a participação de órgãos federais e representantes indicados pelos povos indígenas da região para discutir e orientar os processos de consulta prévia.

O governo se comprometeu, ainda, a apresentar um cronograma para os processos de consulta prévia sobre a concessão da hidrovia, desenvolvido em diálogo direto com as comunidades afetadas.

Riscos socioambientais e alerta indígena

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) manifestou apoio às mobilizações e criticou o projeto de concessão da hidrovia à iniciativa privada. A entidade alerta para graves impactos em territórios, modos de vida e espiritualidade dos povos tradicionais.

A Coiab também destacou os riscos ambientais e sociais da dragagem. Estes incluem danos à pesca, erosão das margens, ressuspensão de contaminantes e prejuízos irreversíveis a um dos principais corredores ecológicos da Amazônia, sem estudos de impacto ambiental completos.

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