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Início » Mais de 70 mulheres tiveram mandatos cassados no Brasil em 10 anos, revela estudo
Brasil

Mais de 70 mulheres tiveram mandatos cassados no Brasil em 10 anos, revela estudo

Nrb NewsPor Nrb News4 de junho de 20262 Minutos de Leitura
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© Alesp/Divulgação

Um levantamento alarmante revela que mais de 70 mulheres tiveram seus mandatos cassados ou foram alvo de tentativas de cassação malsucedidas entre 2015 e 2025. Os casos se espalham por 19 unidades federativas do Brasil.

Os dados foram divulgados pelo Instituto E Se Fosse Você, por meio do estudo “Mulheres Ameaçadas no Brasil: dos feminicídios às cassações de mandatos (2015-2025)”, apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

O relatório aponta um crescimento expressivo desses episódios, especialmente a partir de 2019.

Crescimento Alarmante das Cassações

Em 2015, nenhuma ocorrência de cassação foi registrada. O primeiro caso notável ocorreu em 2016, com a deposição da então presidenta da República, Dilma Rousseff.

Após a renovação das Casas do Congresso Nacional em 2023, foram contabilizados 11 casos. O ano passado (referindo-se ao ano anterior à divulgação do estudo) registrou o número recorde de 30 episódios.

Perfil das Vítimas e Agressões

Quem são as principais atingidas?

As vereadoras são as principais vítimas desse tipo de perseguição política, representando 73% dos ataques contra mulheres com cargo eletivo. Parlamentares estaduais, distritais e federais somam 20% dos casos.

Os motivos por trás dos ataques

A identidade de gênero, o poder exercido em suas funções e a filiação partidária são fatores que influenciam o cerco que essas mulheres enfrentam. O relatório destaca que há um “backlash”, uma reação organizada contra os avanços femininos.

Alvos e agressores: um padrão político-ideológico

Quase metade das mulheres eleitas com a legitimidade questionada eram do Partido dos Trabalhadores (PT) ou do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), totalizando 40%.

Por outro lado, 70% dos agressores pertencem majoritariamente a siglas do espectro conservador, como Partido Liberal (PL), União Brasil, Partido Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A maioria dos agressores (78%) é identificada como homem cisgênero.

“Essa assimetria sugere que as cassações respondem a padrões estruturados de hostilidade político-ideológica contra mulheres progressistas, frequentemente orquestradas por bancadas conservadoras”, afirmam os especialistas que conduziram o estudo.

Mulheres que desafiam hegemonias políticas locais – seja por posição ideológica, atuação oposicionista ou renovação geracional – são alvos preferenciais dessa violência institucional. O estudo também aponta que o PT, em menor grau, figura em conflitos intrapartidários que levam a tentativas de cassação de correligionárias.

Cassação mulheres Perseguição política Polarização política Vereadoras
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