O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, classificando o conflito como “desnecessário”. Ele afirmou ser “mentirosa” a justificativa usada sobre o desenvolvimento de armas nucleares pela nação persa. Lula fez essas declarações em entrevista ao vivo à TV Cidade, em Fortaleza.
A verdade sobre as armas nucleares e o acordo de 2010
Lula declarou que os EUA se envolveram em uma guerra desnecessária no Irã sob a alegação de armas nucleares, o que ele categorizou como uma “mentira”. Ele fundamentou sua afirmação em uma visita oficial ao Irã em 2010. Na ocasião, o Brasil costurou um acordo para o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, seguindo o modelo brasileiro.
O presidente relembrou que o acordo foi posteriormente rejeitado pelos EUA e pela União Europeia. “Não tem arma nuclear lá”, enfatizou Lula, questionando a necessidade da guerra diante de uma divergência política. Ele mencionou a percepção equivocada de que a guerra terminaria com a morte de líderes, sublinhando a cultura milenar do Irã e sua população.
Preço do diesel e ações do governo
Lula também expressou preocupação com a escalada no preço do óleo diesel no Brasil, um país que importa 30% do seu consumo. A volatilidade do petróleo impacta diretamente o transporte rodoviário, afetando cadeias produtivas de alimentos e outros produtos essenciais.
Combate aos aumentos abusivos
O presidente reforçou que o governo está monitorando a situação para identificar aumentos abusivos nos preços. “Estamos, com a Polícia Federal, com todos os Procons dos estados, fiscalizando, e vamos ter que colocar alguém na cadeia”, declarou, indicando rigor na fiscalização.
Lula comparou a situação atual, onde a redução de preços da Petrobras não chega à bomba, com o período anterior à privatização da BR Distribuidora. Ele sugeriu que a estatal tinha maior controle sobre a distribuição dos valores na ponta.
Uma Medida Provisória (MP) para criar um subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro, deve ser publicada nesta semana. O ministro Dario Durigan confirmou a informação, buscando adesão dos estados antes da publicação.
A proposta prevê um custo total de R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, dividido igualmente entre a União e os estados. O objetivo é conter a alta dos combustíveis e evitar riscos de desabastecimento, com cerca de 80% dos estados já indicando adesão.
Mês de conflito: impactos e consequências
Os ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês. A ausência de perspectiva concreta para o fim do conflito persiste.
O conflito levou à morte de autoridades importantes do país persa. Além disso, houve o fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial por onde circulam cerca de 20% do petróleo mundial.
Como consequência direta, o preço do barril de petróleo já aumentou aproximadamente 50%. Pesquisadores também apontam riscos ambientais e climáticos associados à prolongação do conflito.