O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil tem grande interesse em expandir a produção de gás na Bolívia e aumentar significativamente a importação do insumo. A declaração foi feita durante a visita oficial do novo presidente boliviano, Rodrigo Paz, ao Palácio do Planalto.
Lula enfatizou a cooperação energética como um pilar essencial na relação bilateral. Ele destacou a Bolívia como uma fonte segura de gás natural, especialmente em um cenário global de conflitos que ameaçam o fornecimento de combustíveis.
Parceria estratégica no setor de gás
O presidente Lula discutiu com Rodrigo Paz a possibilidade de ampliar investimentos na área de gás e incrementar o volume exportado para o mercado brasileiro. A ideia é fortalecer ainda mais a integração energética entre os dois países.
Há décadas, a Petrobras tem um papel fundamental na construção da integração energética na América Latina. Embora já tenha sido responsável por 60% da produção boliviana, a estatal opera hoje 25% do gás natural produzido no país.
O Gasoduto Brasil–Bolívia, que impulsionou a indústria brasileira e o setor de hidrocarbonetos boliviano, poderá agora servir para uma integração mais ampla. Ele também poderá abastecer a futura fábrica de fertilizantes que o governo boliviano planeja em Puerto Quijaro.
Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S.A – Agência Petrobrás/Divulgação
Acordos ampliam cooperação bilateral
Interconexão de sistemas elétricos
Durante a visita, Brasil e Bolívia assinaram um acordo para a interconexão de seus sistemas elétricos. Prevê-se a construção de uma linha de transmissão entre a província de Germán Busch (Bolívia) e o município de Corumbá (Mato Grosso do Sul).
Essa iniciativa visa otimizar o uso de recursos existentes nos dois países, levar eletricidade a regiões ainda dependentes de diesel e diversificar fontes. O Brasil também se mostrou disposto a cooperar na produção de biocombustíveis e outros recursos renováveis.
Potencial em mineração
O presidente Rodrigo Paz destacou as vastas possibilidades de parcerias em mineração, dada a grande diversidade e concentração de minerais na Bolívia. A cooperação mútua é vista como essencial para o desenvolvimento boliviano.
Combate ao crime e turismo
Outros dois acordos foram firmados, sendo um para fortalecer a cooperação e coordenação contra o crime organizado transnacional. As ações visam aprimorar a prevenção, investigação e repressão de crimes como tráfico de pessoas, narcotráfico e mineração ilegal.
O segundo acordo de cooperação foca na promoção do turismo e na qualificação profissional da área, buscando impulsionar o setor entre as duas nações irmãs.
Comércio bilateral e oportunidades futuras
Lula lembrou que, apesar de o Brasil ser o segundo maior parceiro comercial da Bolívia, o intercâmbio comercial vem caindo. Em 2013, a balança comercial alcançou US$ 5,5 bilhões, enquanto recentemente esse valor foi de apenas US$ 2,6 bilhões.
Apesar da queda, há grande disposição de empresários para investir e impulsionar novas parcerias. Existem muitas oportunidades nos setores de alimentos, lácteos, material genético, sementes, frutas, algodão, cana de açúcar e soja, além de biotecnologia com apoio da Embrapa.
Nesta terça-feira (17), o presidente Rodrigo Paz abrirá um evento empresarial em São Paulo, com o objetivo de explorar oportunidades de comércio e investimentos, acompanhado por cerca de 120 empresários bolivianos. Em setembro de 2025, mais de 100 empresas brasileiras estiveram na Expocruz em Santa Cruz de la Sierra.