O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou, nesta terça-feira (2), as acusações dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas comerciais “irrazoáveis”. Lula destacou que, na verdade, os norte-americanos possuem um superávit comercial significativo com o Brasil. Ele argumenta que, por essa razão, o Brasil é quem deveria considerar a aplicação de tarifas.
Brasil deveria taxar, afirma Lula
“O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões“, afirmou Lula, reforçando que “quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”. O presidente brasileiro também relembrou um acordo anterior com o então presidente dos EUA, Donald Trump. Ambos haviam estabelecido um prazo de 30 dias para que uma solução comercial fosse alcançada.
Lula detalhou um encontro prévio na Casa Branca com Trump, onde ele apresentou documentos que comprovavam a balança comercial favorável aos EUA. Durante a conversa, que durou três horas, houve um debate sobre as divergências nas políticas comerciais de ambos os países.
O presidente brasileiro propôs a Trump que os ministros de comércio de cada nação tivessem 30 dias para resolver as pendências e provar quem estava correto. Apesar do prazo estabelecido e de três rodadas de conversas, o acordo comercial não foi concretizado.
Este diálogo crucial, mencionado por Lula, ocorreu no início de maio, na Casa Branca. Além das relações comerciais, os líderes discutiram o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos.
Entenda as acusações dos EUA e a resposta brasileira
Diante da nova proposta de tarifas dos EUA, que alegam deslealdade comercial brasileira, Lula declarou que sua batalha é a “guerra da verdade”.
“Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira”, pontuou o presidente.
As recentes alegações do governo norte-americano descrevem as políticas e práticas brasileiras como “irrazoáveis”, argumentando que elas “oneram ou restringem” o comércio dos EUA. Um relatório final da investigação prevê a imposição de restrições ou tarifas. Baseado nisso, o representante de comércio dos EUA propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros.
Apoio da oposição ao tarifaço
Lula fez as declarações durante a inauguração de um novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO). No evento, ele criticou a postura de filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação a tarifas anteriores aplicadas por Trump. Lula mencionou uma postagem de um senador (referindo-se a Flávio Bolsonaro, PL-RJ) que havia agradecido a Donald Trump por taxar produtos brasileiros.
O presidente relembrou a postagem específica: “Um deles, que é candidato à Presidência, tuitou no dia 9 de julho de 2025: ‘Obrigado, Trump, faça o Brasil livre de novo'”. Lula ressaltou que, apesar da negação posterior, o filho do ex-presidente havia expressado gratidão pelas tarifas.
Posteriormente, Flávio Bolsonaro declarou em suas redes sociais que, em um encontro na Casa Branca no final de maio, ele havia pedido a Trump para não aplicar tarifas sobre os produtos brasileiros.