O ouro alcançou valores recordes no mercado internacional nesta semana, com a onça troy sendo negociada em patamares históricos. A cotação chegou a US$ 5.326, marcando o maior preço já registrado para o metal à vista.
Nos últimos 12 meses, o metal precioso valorizou mais de 90%, superando pela primeira vez a marca de US$ 5 mil. Apenas em 2026, a alta já soma cerca de 22%.
Este aumento expressivo reflete a lei da oferta e procura, indicando um interesse crescente de agentes econômicos pelo ouro como ativo.
O que impulsiona a valorização dos metais?
Um comportamento semelhante foi observado na prata, cuja onça troy saltou de US$ 30 para um recorde de US$ 115 em um ano. Especialistas conversaram com a Agência Brasil para explicar as causas dessa valorização.
Tarifas impostas pelo presidente Donald Trump são principal gatilho para a incerteza global – Foto : Reuters/Carlos Barria/Arquivo/proibida reprodução
O "Efeito Trump" e a incerteza global
A escalada do ouro tornou-se mais evidente a partir de janeiro de 2025, com a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Desde então, o preço da onça troy quase dobrou.
Segundo o economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, a alta dos metais é resultado de um cenário atual “recheado de incertezas”. O ouro e a prata são tradicionalmente vistos como reservas de valor, protegendo o poder de compra.
Sartori aponta a política econômica de Trump como o principal gatilho, citando as tarifas e o protecionismo que rompem com o livre comércio defendido pelos EUA. Ele também menciona as “truculências externas” e ameaças a países parceiros.
Turbulência geopolítica se intensifica
A professora Gecilda Esteves, de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-RJ), adiciona a cobiça de Trump pela Groenlândia como um fator de turbulência. Essa pressão abalou a confiança entre EUA e Europa, gerando receio de novas guerras comerciais.
O conflito entre Ucrânia e Rússia, que se estende por quase seis anos, também agrava o cenário. O mercado percebe um risco geopolítico real e imediato, o que impulsiona a busca por ativos seguros como o ouro e a prata.
Conflito entre a Ucrânia e a Rússia agrava o cenário de turbulência – Foto: Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via Reuters
A busca por segurança e estabilidade
Diante deste panorama, investidores e governos buscam proteger seus patrimônios em metais preciosos. Rodolpho Sartori enfatiza que o movimento é de proteção contra a volatilidade, e não meramente um investimento especulativo.
Embora bancos centrais, inclusive o brasileiro, estejam ampliando suas reservas em ouro, Sartori não os considera os principais responsáveis pela “explosão” dos preços. Ele atribui a disparada ao mercado de investidores, que busca diversificação e refúgio dos riscos atuais.
Ouro experimenta a corrida de investidores e governos pela segurança de seus patrimônios – Foto: ReutersAngelika Warmuth/Proibida reprodução