Nesta quarta-feira (28), o Palácio do Planalto sediou um importante encontro. Representantes do Poder Executivo e da comunidade judaica debateram estratégias para combater o antissemitismo no Brasil. A **educação** foi destacada como ferramenta crucial para prevenir crimes de ódio e fortalecer a democracia.
O evento contou com a participação de **pesquisadores de universidades de cinco estados**, rabinos e representantes de instituições. Entre eles estavam o **Museu do Holocausto de Curitiba** e movimentos sociais como Judeus pela Democracia e Casa do Povo. Diversos membros do governo federal também estiveram presentes.
Compromisso do governo federal
O presidente da República em exercício, **Geraldo Alckmin**, enfatizou a relevância do diálogo. Ele defendeu propostas concretas para combater a discriminação e o ódio. Alckmin ressaltou a histórica e ampla contribuição da comunidade judaica ao Brasil, em áreas como ciência, cultura e medicina.
Alckmin afirmou o compromisso de avançar na promoção de valores essenciais à civilização. Ele destacou que isso vai além de apenas fazer justiça à comunidade judaica.
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Visão de Gleisi Hoffmann
A ministra **Gleisi Hoffmann** afirmou que o combate ao antissemitismo faz parte do compromisso do governo Lula. Este compromisso visa enfrentar todas as formas de preconceito e discriminação. Ela mencionou a visita de **Lula a Israel em 2010** e a defesa da coexistência pacífica entre Israel e Palestina pela diplomacia brasileira.
Posicionamento de Macaé Evaristo
A ministra dos Direitos Humanos, **Macaé Evaristo**, ressaltou a ligação direta entre democracia e combate ao ódio. Ela alertou sobre os riscos da intolerância para as instituições democráticas.
Perspectiva da comunidade judaica (Conib)
O presidente da **Conib**, **Claudio Lottenberg**, avaliou a iniciativa como crucial. Ele destacou o crescimento global do antissemitismo em um momento crítico. Lottenberg reforçou a necessidade de ações conjuntas entre Estado e sociedade civil para dar visibilidade ao problema.
Educação como pilar central
Durante o encontro, o papel da educação no combate aos crimes de ódio foi central. A ministra **Gleisi Hoffmann** reiterou a importância de políticas educacionais abrangentes. Ela afirmou que “uma proposta educacional pode ser ampla e transformadora”, e a reunião já estava agendada, não sendo motivada por eventos recentes.
Análise da historiadora Lilia Schwarcz
A professora da USP, **Lilia Schwarcz**, participou remotamente e reforçou a eficácia da educação. Para ela, denúncias e judicialização são importantes, mas insuficientes sem políticas educacionais estruturadas. Schwarcz criticou o tratamento pontual do tema nos currículos, muitas vezes restrito ao Holocausto no ensino fundamental.
**Lilia Schwarcz** argumentou que combater o antissemitismo é um desafio da democracia brasileira, não apenas da comunidade judaica. Ela defendeu a ampliação do debate nas escolas e a articulação com o **Ministério da Educação**. O objetivo é construir políticas públicas focadas em empatia e reconhecimento da diversidade.
Base legal e compromisso brasileiro
O Brasil possui um compromisso histórico em repudiar o antissemitismo e toda discriminação. Esse posicionamento é garantido pela **Constituição Federal de 1988**, que assegura a liberdade religiosa. Além disso, a **Lei nº 7.716/1989** criminaliza práticas de discriminação e preconceito.
Tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário também reforçam esse arcabouço jurídico. Incluem a **Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)** e a **Convenção Internacional contra a Discriminação Racial (1965)**. Estes documentos fortalecem o combate ao antissemitismo e outras formas de discriminação.