A 6ª edição da Caminhada do Silêncio reuniu centenas de pessoas em São Paulo. O evento ocorreu neste domingo (29), honrando as vítimas de violência do Estado. A concentração inicial foi em frente ao antigo DOI-Codi/SP, um símbolo da repressão militar.
Os manifestantes seguiram pelas ruas da zona sul paulistana. O destino final foi o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera. A polícia militar escoltou o cortejo.
Conectando o passado e o presente da violência estatal
Organizada pelo Movimento Vozes do Silêncio, a caminhada teve o mote “aprender com o passado para construir o futuro”. As entidades denunciaram a repetição das violências de estado ao longo de décadas. Isso inclui o período pós-redemocratização do país.
Lorrane Rodrigues, do Instituto Vladimir Herzog, enfatizou a importância de debater os impactos da ditadura no presente. Ela afirmou que o tema é frequentemente visto como “algo estanque” no imaginário coletivo. Lorrane ressaltou a necessidade de entender como esse período histórico ainda molda o cenário contemporâneo.
A coordenadora do Instituto Vladimir Herzog também destacou que a democracia brasileira atual não é suficiente nem igualitária para todos. Ela mencionou as 49 recomendações da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Segundo ela, essas recomendações foram pouco ou parcialmente cumpridas até o momento.
A luta contra a impunidade e os ataques à democracia
Rogério Sotilli, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, afirmou que a Caminhada do Silêncio é uma resposta coletiva. Ele apontou que a ditadura militar deixou uma herança de impunidade. Essa realidade se reflete na violência de estado que o Brasil ainda enfrenta.
Sotilli reforçou a importância de a sociedade civil se manifestar. “Este é o momento de dizermos que estamos na rua, de voltarmos a demonstrar nossa força”, declarou. Ele alertou sobre os contínuos ataques graves contra a democracia.
Novas perspectivas e o manifesto de resistência
Mais de 30 organizações da sociedade civil, movimentos sociais e entidades de direitos humanos participaram do evento. Neste ano, destacou-se a possibilidade, defendida por Flávio Dino (STF), de afastar a aplicação da Lei da Anistia. Essa medida seria para crimes permanentes, como ocultação de cadáver.
Perto do fim da caminhada, a organização leu o manifesto oficial. O texto enfatizou que o silêncio do ato não significava ausência. Pelo contrário, era uma presença viva e uma memória que resiste.
“Nosso silêncio é a presença viva, é memória que resiste”, dizia um trecho. “Cada vítima de violência do Estado é permanência”. O manifesto afirma que mortos e desaparecidos não pertencem apenas ao passado.
O documento concluiu que a caminhada persiste por necessidade. “A ameaça não desapareceu. Ele se transformou”, finalizou o manifesto. Ele ressalta que a democracia continua sob ataque, mesmo que de formas diferentes.
São Paulo (SP)-29/03/2026. Caminhada Silenciosa em memória das vítimas da ditadura militar. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil – Paulo Pinto/Agencia Brasil