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Brasil

Suíça fez fortuna na ditadura brasileira explorando trabalhadores e obtendo lucros recordes

Nrb NewsPor Nrb News2 de abril de 20263 Minutos de Leitura
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© Frame RTS

Um levantamento recente revela o papel da Suíça no apoio à ditadura militar brasileira (1964-1985). Empresas suíças obtiveram grandes lucros explorando a mão de obra barata e a repressão do regime. Documentos expõem como a “neutralidade” do país europeu mascarou um apoio econômico significativo.

Empresas suíças: Estabilidade pela opressão e lucros exorbitantes

Em 1970, Anton Von Salis, então presidente da Swisscam (Câmara de Comércio Suíço Brasileira), justificou salários mais baixos no Brasil. Ele afirmou que as necessidades eram diferentes e que a ditadura garantia estabilidade e lucro. Essa perspectiva revelava a visão do capital suíço sobre o regime.

Von Salis chegou a minimizar denúncias de prisões arbitrárias e torturas, elementos que garantiam a “estabilidade” celebrada pelas multinacionais suíças. Sua postura evidencia a conveniência do regime para os interesses empresariais.

A pesquisadora Gabriella Lima, da Universidade de Lausanne, comparou salários de 14 multinacionais suíças em 1971. Sua análise mostrou como a ditadura, ao sufocar sindicatos e impedir greves, foi vantajosa para essas empresas. O regime criou um cenário de “paz social” forçada.

Salários drasticamente reduzidos para operários brasileiros

Trabalhadores sem qualificação no Brasil recebiam apenas um quinto do salário de um operário suíço na mesma função. Para mão de obra profissionalizada, a diferença diminuía, mas ainda era de pouco mais da metade (57%) do salário suíço. Isso representava uma enorme vantagem para os empregadores.

Segundo Gabriella Lima, as empresas suíças “aproveitaram tudo que a ditadura tinha a oferecer”. Elas não pagavam impostos nos primeiros dez anos e estavam isentas de impostos sobre remessa de lucros. A criminalização de movimentos sociais também “dava confiança no parceiro brasileiro”.

Achatamento salarial gerou milhões em lucro

Marco Antônio Rocha, professor da Unicamp, explica que a política de valorização do salário mínimo foi um dos estopins do golpe de 1964. Uma das primeiras medidas militares foi alterar a política de reajuste. Em um ou dois anos, o salário mínimo perdeu cerca de 50% do poder de compra.

Gabriella Lima estimou o impacto financeiro desse achatamento de salários. As 14 maiores multinacionais suíças no Brasil, somente em 1971, faturaram cerca de 80 milhões de francos suíços. Este valor demonstra o volume de ganhos obtidos à custa da exploração.

Suíça: maior investidor per capita na ditadura

A política de salários baixos e a “estabilidade” opressora atraíram investimentos suíços. Entre 1964 e o final da década de 1970, a Suíça figurou entre os quatro países que mais investiram no Brasil. Ficava atrás apenas de Estados Unidos e Alemanha, e revezava o terceiro lugar com o Japão.

Proporcionalmente, a Suíça foi o maior investidor per capita no período. Com uma média de US$ 187,8 per capita, o montante era oito vezes maior que o da Alemanha. Nos anos 1970, a Suíça tinha cerca de 7 milhões de habitantes.

Em 1973, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) suíço no Brasil atingiu 1,1 bilhão de francos suíços. Quatro anos depois, em 1977, esse valor mais que dobrou, chegando a 2,3 bilhões de francos suíços. Empresas suíças atuavam em diversos setores, como alimentação, metalurgia e bancos.

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Anton Von Salis, presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira em entrevista para RTS, em 18 de dezembro de 1970 – Frame RTS

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