O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, inaugurado em 23 de maio de 2016, comemora uma década de existência, marcando um período de profunda transformação no esporte.
O local, que antes abrigava uma das unidades da antiga Febem, é hoje uma das mais modernas estruturas esportivas do país, dedicada ao alto rendimento paralímpico.
Infraestrutura de ponta e investimento
Situado no quilômetro 11,5 da Rodovia dos Imigrantes, na Vila Guarani, zona sul de São Paulo, o vasto complexo recebeu um investimento total de R$ 305 milhões.
Desse valor, R$ 187 milhões foram provenientes do Ministério do Esporte, com o restante financiado pelo governo de São Paulo, em dois anos e meio de obras.
O vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Yohansson Nascimento, destacou a relevância dessa estrutura.
“Antes, as modalidades paralímpicas usavam instalações não exclusivas. Tínhamos que bater na porta para dividir o espaço e nem pegávamos os melhores horários”, recordou ele à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Ele completou: “Com os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Brasil em 2016, sabíamos que uma megaestrutura seria feita. A entrega do CT foi a realização de um sonho”.
Instalações completas para atletas
O Centro Paralímpico oferece uma gama completa de instalações para diversas modalidades esportivas.
O complexo inclui quadras para tênis e basquete em cadeira de rodas, vôlei sentado, goalball, futebol de cegos e futebol de paralisados cerebrais (PC).
Há também espaços dedicados a esgrima em cadeira de rodas, judô, taekwondo, bocha, tênis de mesa, além de piscinas olímpica e semiolímpica.
Pistas de atletismo (externa e interna) para treinamentos e um residencial com capacidade para cerca de 300 pessoas complementam a infraestrutura.
Gestão, compromisso e vivências
Em 2017, o CPB venceu uma concorrência pública para a gestão do CT por cinco anos, período em que transferiu seu centro administrativo de Brasília para São Paulo.
Em 2024, o acordo de gestão foi renovado por mais 35 anos, solidificando o compromisso com o desenvolvimento e a excelência do esporte paralímpico brasileiro.
Viviane Monteiro, funcionária do setor de faturamento e deficiente auditiva, compartilhou sua experiência inspiradora.
“Aqui é acolhedor para pessoas com deficiência. Sou muito grata por estar até hoje, vendo essa mudança, os atletas sempre engajados, motivados”, disse ela à EBC.
Resultados e legado: Brasil no topo
A construção do CT Paralímpico tem relação direta com a evolução do desempenho brasileiro nas Paralimpíadas.
Em Tóquio 2021, o Brasil repetiu as 72 medalhas da Rio 2016, mas com 22 ouros, oito a mais. Em Paris 2024, o desempenho foi ainda melhor, com 25 douradas e 88 pódios.
Esse crescimento levou o Brasil do oitavo lugar no Rio para o sétimo em 2021, alcançando um inédito top-5 em 2024 no quadro de medalhas dos Jogos.
Yohansson Nascimento compara o CT a um laboratório de inovações, com impacto para além do esporte.
“Assim como na Fórmula 1, o que é desenvolvido aqui será replicado. Não apenas na parte esportiva, mas em próteses, por exemplo, beneficiando toda uma comunidade de pessoas com deficiência”.
Formação de novos talentos
Inicialmente focado no alto rendimento, o CT evoluiu para um polo de formação através da Escola Paralímpica de Esportes, criada em 2018 e replicada pelo país.
O projeto oferece iniciação gratuita em modalidades adaptadas para jovens de 7 a 17 anos com deficiências física, visual e intelectual.
Alessandra Oliveira, campeã mundial dos 100 metros nado peito, é uma das revelações do programa, destacando o sucesso do CT na descoberta e desenvolvimento de novos talentos paralímpicos.