A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo celebrou seus 30 anos de existência com cores vibrantes e muita energia na Avenida Paulista. O evento, que se tornou um marco de resistência, transformou a avenida em um palco de diversidade. Antes mesmo dos trios elétricos, drags queens interagiram com o público, reforçando a importância da visibilidade da comunidade.
A voz da comunidade e a importância do voto
DragZonna, uma das drags mais requisitadas, destacou a Parada como uma representação vital para a comunidade. “Queremos mostrar nossa resistência e nossa força criativa para esse mundo”, afirmou. Ela ressaltou a constante ameaça aos direitos e a necessidade de eleger bons representantes para o Congresso e o governo.
A cachorrinha Mel Radical, acompanhada de sua dona Rafaela Fernandes, também atraiu olhares com seu visual colorido. Com óculos e uma roupa festiva, Mel simboliza amor e respeito, independentemente de sexo ou religião. Rafaela enfatizou a importância do voto consciente para garantir os direitos da comunidade LGBTQIA+.
A cachorrinha Mel Radical vai à parada desde 2019, acompanhada de sua dona. Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil
Artistas e percurso da Parada 2024
Neste ano, a Parada contou com 14 trios elétricos e uma lista de artistas renomados. Entre eles estavam Pabllo Vittar, Urias, Gloria Groove, Pepita, Diego Martins, Jup do Bairro, Melody, MC Soffia, e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello. O percurso iniciou na Avenida Paulista e seguiu em uma grande caminhada até a Praça da República.
O alerta sobre o poder do voto
Um dos pontos altos do evento foi a imensa urna chamada “Votinho”, instalada na Avenida Paulista. Ela serviu para alertar sobre a fundamental importância do voto consciente. O tema deste ano, “30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma“, reforçou a mensagem de cidadania para os participantes.
Chamada de Votinho, a urna foi colocada em um ponto de destaque na Avenida Paulista chamando a atenção para a importância do voto. Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil
Representatividade e cidadania nas ruas
Muitos participantes vestiram as cores do arco-íris e da bandeira brasileira, simbolizando a união da comunidade com a identidade nacional. O assistente jurídico Wesley Araújo, de 29 anos, usou terno e faixa presidencial. Ele declarou que a vestimenta representa a possibilidade de a comunidade ocupar todos os espaços, incluindo a presidência.
Wesley sublinhou a necessidade de pensar não apenas no presidente, mas também em quem se elege para deputado e vereador. “A gente precisa pensar nisso tudo”, falou. “Estamos na rua para mostrar que nós existimos e resistimos também. A visibilidade é importante para mostrar que não estamos escondidos”.
Maurício José de Santana, cuidador de idosos de 61 anos, compareceu à Avenida Paulista segurando uma bandeira do Brasil e vestindo o uniforme da seleção brasileira. Ele expressou seu amor pelo futebol e pela comunidade LGBTQIA+, mas também grande preocupação com os resultados das próximas eleições.
“Votem conscientes, porque o voto LGBTQIA+ é muito importante”, alertou. Ele teme que, dependendo do resultado das urnas, a Parada e os direitos conquistados possam ser perdidos. “Foram 30 anos só de parada e essa é uma conquista imensa”, reforçou, chamando à vigilância.