A Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas (SB64), realizada na Alemanha, encerrou-se com avanços limitados e impasses significativos. Instituições envolvidas avaliam que temas cruciais seguem sem solução. Esses pontos deverão ser retomados na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), agendada para novembro na Turquia.
A visão oficial
O secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas (UNFCCC), Simon Stiell, destacou a importância da cooperação internacional. Ele afirmou que os trabalhos técnicos em Bonn criaram bases para o avanço das negociações futuras. Stiell enfatizou a implementação dos compromissos do Acordo de Paris.
Críticas da sociedade civil
A sociedade civil apresentou um balanço cauteloso e crítico sobre a conferência. O Observatório do Clima (OC) classificou o resultado como “decepcionante”. A organização apontou incertezas políticas e dificuldades em temas fundamentais, como a meta global de adaptação e mitigação.
O OC destacou resistências em manter compromissos e até em adiar relatórios cruciais. Mencionou a tentativa de países como China e Índia de adiar a publicação do AR7, o próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Financiamento e adaptação
A LACLIMA relatou bloqueios sistêmicos e decisões adiadas nos últimos dias da SB64. Temas como financiamento climático, agricultura e adaptação ficaram sem consenso, sendo transferidos para a COP31.
Marina Guião, analista de políticas climáticas, ressaltou impasses no financiamento público internacional. A questão de ter uma decisão formal na COP31 ou apenas um diálogo continua em aberto.
A Climate Action Network (CAN) apontou a negociação sobre adaptação como um grande ponto de preocupação. Apesar de avanços na transição justa, faltou consenso na Meta Global de Adaptação devido a divergências de financiamento.
Um olhar mais otimista
Em contraste, a World Wildlife Fund (WWF) apresentou uma avaliação mais positiva. A organização entende que Bonn direcionou o foco das negociações da promessa para a implementação das ações climáticas.
Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas do WWF, destacou o papel da presidência brasileira da COP30. Ele afirmou que as iniciativas em Bonn promoveram um debate contínuo sobre implementação real.
Tatiana Oliveira, do WWF-Brasil, reforçou a importância do multilateralismo com a ampla participação dos países. Contudo, o desafio é converter o engajamento político em resultados concretos, especialmente no financiamento climático.