Autoridades investigam a crescente utilização de imóveis de aluguel por temporada por organizações criminosas. O objetivo é **ocultar patrimônio ilícito**, como dinheiro do tráfico de drogas e armas, gerando uma fonte de renda aparentemente legítima.
Especialistas alertam que essa “maquiagem financeira” via aluguéis por aplicativos cria um **”ponto cego”** para os órgãos de fiscalização. Isso permite que criminosos lavem dinheiro ilícito com maior facilidade.
A Operação Litus e as investigações
No Rio Grande do Sul, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) identificou um grupo suspeito de homicídios, tráfico e extorsão. Eles usavam imóveis comprados no litoral norte do estado para faturar com aluguéis de curta temporada.
Em **maio de 2025**, a Polícia Civil deflagrou a **Operação Litus**, resultando na denúncia de **16 pessoas**. O delegado Gustavo Bermudes, da Draco de Canoas (RS), explicou que os imóveis eram registrados em nome da companheira do líder ou de “laranjas”.
O papel da tecnologia na apuração
A análise de telefones apreendidos foi crucial para a Operação Litus. Neles, os investigadores encontraram anúncios dos imóveis, mensagens com locatários e recibos de valores.
Essa descoberta reforça a necessidade de cooperação entre as forças de segurança estaduais, órgãos federais e **plataformas digitais**.
O delegado Gustavo Bermudes sugere convênios com as plataformas para cruzar dados de investigados e identificar imóveis. Isso permitiria verificar a data da compra e a movimentação de valores, algo difícil para as plataformas sozinhas.
No caso investigado, a plataforma não identificaria o crime sozinha, pois o imóvel estava no nome da esposa do investigado ou de “laranjas” sem antecedentes. A plataforma, cujo nome não foi revelado, colaborou e removeu o anúncio após ser comunicada.
Ações do Ministério da Justiça e Receita Federal
Em nota, o Ministério da Justiça reconhece que o aluguel de temporada pode ser usado para ocultar recursos ilícitos.
A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) não monitora diretamente as plataformas digitais. Contudo, ela fortalece mecanismos para identificar e interromper práticas financeiras ilícitas em diversos setores.
A identificação ocorre por análise financeira, patrimonial e fiscal. As autoridades buscam incompatibilidades entre patrimônio, movimentação financeira, renda declarada e atividades econômicas dos investigados.
Instituições financeiras, cartórios de imóveis e corretoras também são “pessoas obrigadas” a comunicar operações suspeitas.
A Receita Federal também está atenta aos aluguéis de curta temporada. A Subsecretaria de Fiscalização (Sufis) incluiu o tema como prioridade em seu Relatório Anual de Fiscalização **2025-2026**.