A Copa do Mundo de futebol está sendo marcada por um adversário inesperado e perigoso: o calor extremo. Temperaturas elevadas têm desafiado atletas e comissões técnicas, gerando preocupação sobre a saúde e performance em campo.
O recente duelo entre Brasil e Escócia, pela rodada final do Grupo C, exemplificou essa realidade. Em Miami, no início da noite, os termômetros já marcavam 30ºC quando a bola rolou.
Pesquisas alertam para riscos de temperaturas elevadas
Uma pesquisa da Queen’s University Belfast, da Irlanda do Norte, identificou sérios riscos. O estudo revelou que 14 das 16 sedes da Copa podem registrar níveis “potencialmente perigosos” de calor.
A World Weather Attribution Initiative (WWA) também alertou para os jogos no México e no interior e sul dos Estados Unidos. O alto nível de umidade nessas regiões torna o calor ainda mais perigoso para a prática do futebol.
Recomendações e o impacto direto nos jogos
A FIFPro, o sindicato global dos jogadores, tem recomendações claras. Pausas para hidratação são obrigatórias a partir de 30ºC, e acima de 36ºC, a orientação é pela interrupção ou adiamento de partidas.
O artigo da WWA recorda que a Copa de 1994, também nos EUA, teve menos calor severo. Para este ano, a expectativa era de 26 jogos a 30ºC ou mais, superando os 21 de 32 anos atrás.
Na fase de 16 avos de final, o Brasil enfrentará o segundo colocado do Grupo F em Houston. A previsão é de 33ºC ao meio-dia local, mas o estádio dispõe de teto retrátil e ar-condicionado.
FIFA sob pressão: medidas e controvérsias
Em nota à Agência Brasil, a FIFA listou ações para preservar a saúde dos envolvidos. A entidade afirma ter priorizado estádios cobertos para jogos em horários de maior calor e equilibrado o calendário.
Uma medida é a pausa para hidratação obrigatória nas 104 partidas da Copa, independentemente do clima. Contudo, essa interrupção de três minutos tem dividido opiniões, com vaias de torcedores e críticas sobre seu uso comercial.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a pausa em entrevista ao site da entidade. Ele rechaçou as críticas, afirmando que a questão é “puramente esportiva” e focada na segurança dos atletas.
Vinte cientistas renomados, de diversos países, criticaram a duração dessas pausas. Em carta aberta, eles avaliaram que três minutos são “insuficientes para gerar um impacto significativo na reidratação e no resfriamento corporal”, sugerindo seis minutos.
O desafio climático além das quatro linhas
Os especialistas reforçam que o calor extremo exige mais do que apenas pausas para resfriamento. É fundamental combater a queima de combustíveis fósseis, causa principal das mudanças climáticas globais.
A WWA também menciona que os riscos climáticos à saúde se estendem para fora de campo. Ameaças incluem exibição pública de jogos, aglomerações ao ar livre e outras formas de participação social associadas ao futebol.