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Brasil

Ouro Preto se torna capital da memória audiovisual com a 21ª CineOP

Nrb NewsPor Nrb News25 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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© Leo Lara/Universo Produção

O cinema retorna às históricas ladeiras de Ouro Preto, trazendo não só exibições, mas uma profunda reflexão sobre a preservação da memória de um país.

Entre os dias 25 e 30 de junho, a cidade sediará a 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Este é o único evento brasileiro focado no cinema como patrimônio cultural, consolidado como um espaço vital para a preservação audiovisual e formação de público.

Tema central: 'Um país existe nas imagens que preserva'

O tema central da CineOP deste ano é “Um país existe nas imagens que preserva”. Essa frase convida a uma discussão essencial sobre memória, identidade e pertencimento na era digital.

Segundo Raquel Hallak, diretora da CineOP, preservar vai muito além de apenas armazenar arquivos. “O que escolhemos guardar diz muito sobre quem somos e o que desejamos transmitir às próximas gerações”, explica.

Ela enfatiza que “preservar memória audiovisual é garantir acesso, contexto e permanência das obras como parte viva da cultura”.

Programação e destaques da Mostra

Durante seis dias, Ouro Preto se transformará em uma sala de cinema a céu aberto. Serão exibidos 135 filmes (longas, médias e curtas-metragens) em 42 sessões gratuitas, ocupando locais icônicos como a Praça Tiradentes e o Museu da Inconfidência.

A CineOP vai além das exibições, promovendo debates, oficinas, masterclasses internacionais e o tradicional Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros. Este reúne profissionais que discutem o futuro da memória audiovisual no país.

Educação e formação audiovisual

A mostra dedica um de seus três eixos curatoriais inteiramente à formação, com a Mostra Educação. Nela, são exibidos filmes feitos em escolas, experiências pedagógicas e obras que usam o audiovisual como ferramenta de transformação social.

O programa “Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema” leva centenas de estudantes a sessões especiais. Elas são seguidas por debates e materiais educativos, enriquecendo a experiência em sala de aula.

Para Raquel Hallak, a dimensão formativa é crucial para a missão do evento. “A curadoria da CineOP dialoga entre preservação, história e educação”, explica Hallak, unindo filmes restaurados, pré-estreias e produções contemporâneas para criar um campo produtivo entre passado e futuro.

Mostra Competitiva Contemporânea Arquivos em Questão

Em um cenário onde algoritmos moldam o consumo cultural, a CineOP valoriza o encontro presencial, a mediação crítica e o cinema como ferramenta para interpretar o mundo.

Um dos destaques é a Mostra Competitiva Contemporânea Arquivos em Questão, com cinco longas-metragens inéditos. Eles foram criados a partir da ressignificação de imagens de arquivo.

Hallak observa que “os arquivos deixam de ser apenas documentos históricos”. Eles se tornam dispositivos vivos de criação e reinterpretação do presente no cinema contemporâneo.

Títulos como “Apocalipse Segundo Baby”, “Universo Circular – Jocy de Oliveira”, “Proust Palimpsesto”, “Irritante Prodígio” e “Notas sobre um Desterro” compõem a mostra. Ela reforça a tendência do documentário contemporâneo de usar o passado para entender as urgências atuais.

Homenagem a Helena Solberg

A cineasta Helena Solberg será a grande homenageada desta edição. Ela é pioneira do cinema brasileiro e voz importante da produção audiovisual feminina na América Latina.

Sua trajetória será celebrada com exibições especiais, debates e uma retrospectiva completa de sua obra.

Ao revisitar sua carreira, construída entre Brasil e Estados Unidos, Solberg afirma: “Eu regulo minha vida pelos filmes. Fiz cerca de 20 filmes e vivi o cinema intensamente. Foi a única coisa que sempre esteve comigo”.

Audiovisual Cinema memória Ouro Preto Preservação
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