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Início » Câncer de pulmão: Quase 90% dos casos no SUS são diagnosticados tarde, com baixas chances de cura
Brasil

Câncer de pulmão: Quase 90% dos casos no SUS são diagnosticados tarde, com baixas chances de cura

Nrb NewsPor Nrb News6 de agosto de 20264 Minutos de Leitura
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O câncer de pulmão é uma doença silenciosa e devastadora. Segundo o oncologista Igor Morbeck, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, entre 70% e 80% dos casos globais são diagnosticados em fase avançada ou com metástase.

No Brasil, a situação não é diferente, com um cenário que compromete severamente as chances de cura dos pacientes.

A cruel realidade do diagnóstico tardio no Brasil

Uma análise do Instituto Lado a Lado pela Vida, via plataforma Data Câncer 360º, revelou um cenário alarmante no país. Dos 14.145 diagnósticos registrados no SUS em 2023, 89,6% (equivalente a 7.267 pacientes) foram descobertos já nos estágios 3 ou 4.

Nessas fases, as chances de cura são significativamente baixas. Apenas 698 pacientes (10,4%) tiveram o tumor identificado nas fases iniciais (estágios 1 ou 2).

Fatores de risco e a importância da prevenção

O oncologista Igor Morbeck atribui o alto índice de diagnósticos tardios ao aumento da exposição a fatores de risco. Entre eles, destacam-se o tabagismo, sedentarismo, obesidade e má alimentação.

Ele alerta que esses hábitos expõem a população brasileira ao risco de desenvolver câncer, sendo o de pulmão um dos mais incidentes. A afirmação foi feita em entrevista à Agência Brasil.

Morbeck recomenda que indivíduos com fatores de risco, especialmente tabagistas e ex-tabagistas, realizem uma tomografia anual.

Ele ressalta que esse exame de rastreamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo totalmente acessível.

Por que o diagnóstico é tão demorado?

Apesar da disponibilidade do exame, o país não possui um programa de rastreamento para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pulmão.

Por ser uma doença silenciosa, os sintomas iniciais são inespecíficos, como tosse, falta de ar ou sinais que simulam infecções comuns. Essa similaridade leva à demora na procura por diagnóstico.

Falhas no sistema e na informação

O estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida revela que quase 90% dos pacientes que chegam ao SUS com câncer de pulmão já se encontram em estágios muito avançados.

Essa estatística, ainda mais crítica no Brasil do que a média mundial, evidencia os gargalos de acesso ao diagnóstico no Sistema Único de Saúde.

O Dr. Morbeck defende a prevenção ativa, especialmente para tabagistas e ex-tabagistas que pararam de fumar nos últimos 15 anos. Sociedades médicas brasileiras também reforçam esse alerta.

Ele lamenta a ausência de políticas públicas e programas de rastreamento que apoiem essa prevenção. Assim, pacientes ficam vulneráveis, buscando serviços de saúde apenas com sintomas, o que causa atrasos ainda maiores no diagnóstico.

O estudo também destaca a baixa qualidade da informação oncológica pública: em 40% dos casos não há dados sobre o tamanho do tumor ou metástase. Segundo Morbeck, a falta de tomografias adequadas é a principal causa.

Dos diagnósticos analisados, 3.857 registros de estadiamento foram ignorados e 2.100 classificados como “não se aplica”.

Um raio X de tórax simples é inadequado para diagnosticar câncer de pulmão, alerta o oncologista. Muitos pacientes buscam postos de saúde, realizam apenas esse exame e não obtêm um diagnóstico correto.

Consequentemente, são medicados com antibióticos ou outros tratamentos errados, permitindo que a doença avance.

O alerta para tabagistas e jovens

Essa realidade é comum em todo o Brasil, com maior incidência na Região Sudeste e Sul, devido à alta concentração de tabagistas. A doença afeta desproporcionalmente essas áreas.

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco, agora ampliado pelo consumo de cigarros eletrônicos entre jovens. Essa nova tendência acelera o vício e promete um grave problema de saúde pública futuro.

Urgência por uma campanha nacional

Diante deste cenário, Morbeck defende uma campanha de conscientização urgente promovida pelo Ministério da Saúde. Agentes de saúde poderiam atuar na identificação de famílias com fatores de risco, como tabagistas, encaminhando-as para tomografias precoces.

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