O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de **15 dias** para que a União, o Banco Central (BC) e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) apresentem explicações. O objetivo é esclarecer os entraves para a liberação de um empréstimo de **R$ 6,6 bilhões** destinado a resgatar o Banco Regional de Brasília (BRB).
O BRB está em uma situação crítica, envolvido em um escândalo financeiro ligado ao Banco Master. A decisão de Fux, assinada na última quarta-feira (9), busca evitar a possível liquidação da instituição bancária.
Detalhes do ultimato do STF
Além de exigir respostas dos envolvidos, o ministro Luiz Fux também notificou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para se manifestar. Essa medida reforça a urgência e a seriedade da situação que envolve o banco controlado pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
O empréstimo bilionário visa cobrir o rombo causado pela compra de carteiras de empréstimos fraudulentas do Banco Master. Sem esse aporte, o BRB corre o sério risco de ser liquidado pelo Banco Central, por não cumprir as exigências regulatórias.
Entenda o escândalo financeiro e o risco de liquidação
As circunstâncias da operação entre o BRB e o Banco Master são alvo de um inquérito criminal no Supremo Tribunal Federal. Há suspeitas de que executivos do BRB teriam sido subornados para aprovar o negócio, agravando a crise.
A dimensão exata do prejuízo causado ao BRB ainda não foi totalmente esclarecida. O banco vem adiando sucessivamente a divulgação de seu balanço financeiro, em desrespeito aos prazos legais.
O acordo travado e os entraves para o resgate
Um acordo para o resgate do BRB, costurado com a União, chegou a ser homologado por Fux em maio. No entanto, o empréstimo não foi realizado até o momento, piorando a saúde financeira da instituição.
O GDF acionou o STF na tentativa de obrigar o Tesouro Nacional a atuar como avalista do empréstimo. Contudo, o acordo de conciliação prevê que as garantias não virão de recursos federais diretos, mas sim do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Em caso de inadimplência, os bancos poderão acessar parte desses fundos, que são transferências federais regulares. Outras garantias, como dividendos e participação acionária, também poderão ser utilizadas.
Dúvidas dos bancos atrasam liberação
O principal motivo para o atraso é o receio dos bancos que compõem o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Eles apresentaram dúvidas em relação à viabilidade do plano de negócios do BRB para os próximos anos.
Os bancos também buscam garantias de que conseguirão acessar os recursos do FPE e FPM, por serem verbas públicas, em caso de eventual inadimplência. Uma audiência realizada por Fux em agosto para destravar a operação terminou sem avanços significativos.
A importância estratégica do BRB para o Distrito Federal
O Governo do Distrito Federal argumenta no STF o papel estratégico do BRB para a administração pública local. O banco é responsável pela operação de programas sociais, pagamentos de servidores e administração de benefícios.
Além disso, o BRB concentra recursos públicos e depósitos judiciais do DF. Segundo o GDF, um possível colapso da instituição bancária poderia afetar serviços públicos essenciais, programas sociais e milhares de correntistas da região.