Devota desde criança, a professora Caroline Pinho de Araújo, de 40 anos, celebra São Cosme e São Damião no Rio de Janeiro. Sua devoção se estende da Igreja Católica à Umbanda.
Ela expressa gratidão por seu emprego, saúde e família, e anualmente distribui doces como forma de agradecimento. “É importante manter essa tradição”, afirma Caroline.
Caroline Pinho de Araújo celebra o Dia de Cosme e Damião na Paróquia de São Cosme e São Damião, no Andaraí. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A fé que move devotos na Igreja Católica
Caroline participou de uma das missas na Paróquia de São Cosme e São Damião, no bairro do Andaraí, Zona Norte do Rio. A data, 27 de setembro, marca a celebração católica desses irmãos santificados, populares entre os cariocas.
O padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, vigário da paróquia, descreve a alegria de receber peregrinos. Ele mesmo guarda memórias de infância, quando recebia doces durante as festividades.
O sacerdote enfatiza o testemunho de fé de São Cosme e São Damião, martirizados pelo imperador romano Diocleciano. Outros santos importantes para a cultura popular carioca, como São Jorge e São Sebastião, também foram perseguidos no mesmo período.
O Padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento também pegava doces de Cosme e Damião quando era criança. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Sincretismo religioso: a celebração na Umbanda
Os santos também são venerados nas religiões de matriz africana, evidenciando o sincretismo religioso brasileiro. No Terreiro de Umbanda Cosme e Damião, em Vila Isabel, o dia foi de vasta distribuição.
Doces, bolo, cachorro-quente, algodão-doce, brinquedos e kits de higiene pessoal foram entregues a adultos e crianças. A mãe de santo Ana Carolina Oliveira explica que sua família mantém essa tradição há mais de 60 anos.
A Mãe de Santo Ana Carolina Oliveira com seus filhos na distribuição de doces em celebração pelo Dia de Cosme e Damião no Terreiro de Umbanda São Cosme e São Damião, em Vila Isabel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Para as religiões de matriz africana, Cosme e Damião são simbolizados como os erês, entidades espirituais infantis. O sincretismo surgiu da necessidade dos escravizados de professarem sua fé, adaptando-a aos santos católicos.
A massoterapeuta Vania Victorio Gonçalves da Silva, com sua filha Natasha e amiga Mirele, ambas de 14 anos, esteve no terreiro para receber os brindes. Ela destaca a importância da tradição como resgate da história e dos ancestrais.
A massoterapeuta Vânia Victorio Gonçalves da Silva na celebração pelo Dia de Cosme e Damião no Terreiro de Umbanda São Cosme e São Damião, em Vila Isabel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Mirele Marinho da Silva, de 14 anos, reforça a relevância da celebração: “Acho importante que a gente celebre abertamente, porque é uma forma de mostrar que a gente não se importa com a intolerância religiosa”.
As amigas Mirelle da Silva e Natasha, de 14 anos, na celebração pelo Di
As raízes históricas de Cosme e Damião
O historiador e escritor Luiz Antonio Simas elucida a origem de Cosme e Damião. Eles foram médicos cristãos que viveram no Século 3 d.C., na região que hoje corresponde à Síria.
A tradição conta que eles tratavam crianças sem cobrar, sendo martirizados durante a perseguição romana aos cristãos. Narrativas populares dizem que eles se materializavam para crianças doentes e ofertavam doces.
Essa prática visava trazer alegria, considerada essencial no processo de cura. Essa é a tradição sobre São Cosme e São Damião, conforme Simas.