As eleições de 2026 marcaram um ponto de virada na representatividade política brasileira. A partir da próxima legislatura, a bancada feminina no Congresso Nacional será a maior da história, com avanços significativos tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. O crescimento ocorre em um cenário de maior eficiência eleitoral, uma vez que o número total de candidatas mulheres apresentou queda em comparação ao pleito anterior.
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Avanço histórico na Câmara dos Deputados
Na Câmara dos Deputados, o salto foi de 21%. O número de mulheres eleitas subiu de 90 para 109 parlamentares. Esse resultado é considerado notável por especialistas, dado que o volume de candidaturas femininas recuou 24% no mesmo período: em 2022, 3.317 mulheres disputaram o cargo, enquanto em 2026 foram 2.820 postulantes.
Com a nova configuração, as deputadas passarão a ocupar 21% das 513 cadeiras da Casa. A federação formada por PT, PCdoB e PV se destacou como a força política com maior representatividade feminina, sendo responsável pela eleição de 34 das 109 parlamentares que tomarão posse em fevereiro.
Renovação e recordes no Senado Federal
O Senado Federal também registrou números inéditos desde a redemocratização. Dos 54 assentos em disputa nesta eleição, 12 foram conquistados por mulheres. Para efeito de comparação, em 2018, quando o mesmo percentual da Casa foi renovado, apenas oito mulheres haviam sido eleitas.
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A partir do próximo ano, o total de senadoras passará de 15 para 18 integrantes, o que representa 22,2% das 81 vagas totais. Entre as unidades da federação, o Distrito Federal se consolidou como um caso único, tornando-se a primeira região a ter três mulheres simultaneamente em sua representação no Senado. Por outro lado, o Piauí permanece como o único estado brasileiro que nunca elegeu uma mulher para o cargo de senadora.
Representatividade de mulheres negras no Legislativo
A análise do perfil étnico-racial das eleitas revela um cenário de contrastes. Na Câmara dos Deputados, houve um crescimento de 66,6% na eleição de mulheres negras, saltando de 9 para 15 parlamentares. Segundo a organização Mulheres Negras Decidem, a maioria dessas novas lideranças é composta por mulheres jovens, o que sinaliza um processo de renovação geracional.
Contudo, o cenário no Senado foi inverso. Nenhuma mulher negra foi eleita para a Casa Alta em 2026. Nomes históricos e candidaturas expressivas não conseguiram a vitória, evidenciando a dificuldade de acesso desse grupo a mandatos majoritários de longo prazo. Historicamente, apenas quatro mulheres negras ocuparam cadeiras no Senado brasileiro.
Diversidade de pautas e desafios da bancada
Apesar do aumento quantitativo, especialistas alertam que o maior número de mulheres não garante automaticamente a aprovação de pautas voltadas à igualdade de gênero. De acordo com Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), a bancada feminina é ideologicamente diversa e reflete diferentes visões de mundo.
“À medida que o número de mulheres aumenta, aumenta também a diversidade de pensamento. Algumas parlamentares podem defender perspectivas que não priorizam a equidade”, explica a professora. Ela cita como exemplo votações anteriores sobre igualdade salarial, onde parlamentares mulheres se posicionaram de forma contrária à medida.
As parlamentares eleitas em 2026 tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027. No caso das senadoras, o mandato se estenderá até 2035.











