A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (8), a Operação Em Nome do Pai, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de corrupção no Judiciário fluminense. A ação ocorre no bairro de Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e mira um magistrado estadual suspeito de beneficiar empresas do setor imobiliário em troca de vantagens financeiras.
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Investigação sobre favorecimento no setor imobiliário
As diligências foram iniciadas a partir de informações compartilhadas pela Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Segundo a Polícia Federal, o magistrado teria utilizado sua posição para proferir decisões judiciais favoráveis a determinadas imobiliárias, manipulando processos em curso na primeira instância do tribunal.
O esquema envolvia uma contrapartida direta das empresas beneficiadas. Em vez de pagamentos tradicionais, as vantagens eram direcionadas a familiares do juiz. Entre os benefícios identificados pela investigação estão a cessão de imóveis, descontos comerciais considerados excepcionais e pagamentos indiretos realizados a pessoas físicas e jurídicas que possuem ligação direta com os investigados.
Lavagem de dinheiro e continuidade dos crimes
A Polícia Federal apurou que, embora o favorecimento tenha ocorrido majoritariamente enquanto o juiz exercia funções na primeira instância, as práticas de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos continuaram ao longo do tempo. Essa persistência criminosa facilitou o rastreamento dos ativos e a identificação dos envolvidos pela inteligência policial.
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Ao todo, seis mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos. O foco das equipes é a coleta de documentos, dispositivos eletrônicos e outras evidências que possam comprovar a extensão da organização criminosa e o montante total movimentado pelo esquema ilícito.
Atuação do Superior Tribunal de Justiça no caso
Devido ao cargo ocupado pelo investigado, os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Corte é responsável por autorizar medidas cautelares contra magistrados de instâncias estaduais, garantindo o cumprimento dos ritos processuais adequados para autoridades com prerrogativa de foro.
Os crimes apurados nesta fase da operação incluem corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com informações da Polícia Federal, o material apreendido passará por perícia técnica para alimentar os próximos passos do inquérito judicial.
Impacto e fiscalização do Judiciário
A operação destaca a importância dos mecanismos de controle interno, como a Corregedoria, na identificação de desvios de conduta dentro do Poder Judiciário. O caso segue sob sigilo de Justiça para preservar o andamento das investigações e a identidade de outros possíveis envolvidos que ainda não foram alvo de medidas ostensivas.
Até o fechamento desta reportagem, a defesa do magistrado e as empresas citadas não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações. O espaço permanece aberto para o posicionamento oficial dos citados.











