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Início » Associações expõem falhas na regulamentação da cannabis medicinal no Brasil
Brasil

Associações expõem falhas na regulamentação da cannabis medicinal no Brasil

Nrb NewsPor Nrb News20 de setembro de 20264 Minutos de Leitura
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© CBD-Infos-com/ Pixabay

Embora os avanços na regulamentação do uso de cannabis medicinal sejam reconhecidos, associações de pacientes no Brasil apontam para a necessidade urgente de definir temas cruciais. Questões como cultivo, controle sanitário e a inserção da planta na agricultura familiar ainda permanecem em aberto. Este cenário de incerteza foi amplamente debatido durante a 2ª edição da feira Febre de Arte, em Fortaleza.

Desafios regulatórios e a paralisia do setor

Representantes de diversas associações comentaram o clima de insegurança em que atuam, citando apreensões e destruições de plantações pela polícia. Estas plantações, muitas vezes, servem como insumo essencial para medicamentos. A paralisia nos debates desde a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 1.014 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem sido um grande obstáculo para o setor.

Maurício Gomes, diretor jurídico da Associação Canábica Florescer (Acaflor), de João Pessoa, destacou o prazo de cinco anos para adaptação das associações. Ele criticou o que vê como um “jogo de empurra-empurra”, onde o Poder Judiciário transferiu as questões para a Anvisa. Gomes afirmou que “quem está batendo na nossa porta não é a vigilância sanitária, é a polícia”.

O dilema da vigilância sanitária e a Anvisa

Antônio Carlos Araújo Fraga, técnico da coordenadoria de vigilância sanitária do Ceará, expressou preocupação com a relutância de seus colegas em fiscalizar adequadamente. Ele confirmou a insegurança causada pela falta de subsídios claros do órgão. Para ele, existe um vazio de orientações práticas, e “mesmo sem a regulamentação, não vai se saber o que fazer”.

A Anvisa, por sua vez, afirma ter garantido ampla participação social no processo de elaboração das resoluções. O órgão menciona 29 consultas com associações de pacientes e a comunidade científica. Além disso, foram analisadas experiências internacionais e recebidos 47 trabalhos científicos de 139 pesquisadores, sendo 41 do Brasil.

Críticas e lacunas nas normas atuais

A comunidade canábica questiona os critérios de seleção dos materiais compilados pela Anvisa. A Kaya Mind, uma das principais expoentes na difusão de dados sobre cannabis no Brasil, criticou a falta de clareza em diversos aspectos. Entre eles estão o modelo definitivo de cultivo, quem poderá cultivar, quais serão os critérios técnicos e os limites de THC.

Para os convidados dos painéis do evento, um fator desfavorável às associações é a dificuldade das autoridades em delinear normas que abranjam todas as espécies de organizações canábicas, não apenas a indústria. Akemy Viana Pinheiro, colaboradora da Acura, reforçou que as associações não buscam evitar o acompanhamento de sua produção e distribuição.

Ao contrário, a farmacêutica do terceiro setor defende que farmacêuticos e agrônomos colaborem para manter um controle rigoroso dos medicamentos. Ela citou a Resolução nº 7/2026, do Conselho Federal de Farmácia, que define como a categoria pode contribuir para os requisitos técnicos e padrões de qualidade. “Não é preciso só pela legislação, mas pelo paciente”, justifica Pinheiro.

Impacto na agricultura familiar e condições de trabalho

O Instituto Tricomas, localizado no Maranhão, ilustra um esforço para facilitar o acesso a medicamentos à base de cannabis através da agricultura familiar regenerativa e de sistemas agroflorestais. Esta iniciativa destaca o potencial do cultivo sustentável e local.

Outro ponto debatido foram as condições de trabalho dos colaboradores dessas entidades. Isabela Luiza, porta-voz da Adapta, enfatizou o desejo de regularização. “A gente quer ter tudo regularizado, como qualquer outro prestador de serviço”, declarou.

Pesquisa e formação no cenário da cannabis medicinal

A WeCann Academy, uma rede internacional de especialistas e centro de formação, é responsável por organizar o maior Congresso de Medicina Endocanabinoide do mundo. O WeCann Summit será realizado em Campinas em 2024. A instituição também consolidou quase 200 pesquisas no Mapa de Evidências da Cannabis Medicinal, contribuindo para a base científica da área.

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