Destaque na vitória dos Estados Unidos sobre o Paraguai por 4 a 1, o atacante Folarin Balogun representa o país nesta Copa do Mundo por um mero golpe do acaso. Autor de dois gols na partida desta sexta-feira (12), Balogun nasceu nos EUA apenas porque a companhia aérea impediu sua mãe, Florence, grávida de sete meses, de retornar para a Inglaterra.
A origem inusitada do atacante
Sem poder voar, Florence e o marido, Ben, permaneceram em Nova York. Lá, Folarin nasceu em 3 de julho de 2001, obtendo assim a cidadania norte-americana por direito de nascimento. Poucas semanas após o nascimento, ele e os pais, de origem nigeriana, retornaram para a Europa.
A situação inusitada chama atenção, já que o atacante, estreante na Copa do Mundo, jamais morou nos EUA ou defendeu um time do país.
Carreira consolidada na Europa
Criado na Inglaterra, Balogun iniciou sua carreira no futebol em Londres, chegando ao Arsenal aos 8 anos de idade. Ele passou por todas as categorias de base, jogando inclusive pelas seleções juvenis da Inglaterra, e fez sua estreia profissional em 2020.
Ainda em solo inglês, jogou pelo Middlesbrough antes de ir para a França, onde defendeu o Reims. No clube francês, ele ‘explodiu’ na temporada 2022-23, marcando 21 gols na Ligue 1.
Atualmente, ele brilha no Monaco, clube que o contratou por cerca de €40 milhões em 2023.
Cidadania por acaso e a ironia política
Em 2023, Balogun optou por exercer seu direito de cidadania e defender a seleção dos EUA. Sua história de ‘americano por acidente’ ganha contornos ainda mais irônicos diante das políticas migratórias restritivas adotadas por Donald Trump.
Trump se opõe fortemente ao conceito de cidadania por direito de nascimento, que ele chama pejorativamente de “bebês âncora”. Em janeiro de 2025, ele assinou uma ordem executiva para acabar com a cidadania por nascimento de filhos de pais em situação irregular no país.
Essa medida foi contestada por juristas na Justiça, e o governo pediu à Suprema Corte que permita a entrada parcial das restrições. Se tais propostas estivessem em vigor em 2001, o destino de Balogun e da seleção norte-americana seria completamente diferente.
Estreia de gala na Copa 2026
A estreia de Balogun na seleção, sob o comando de Mauricio Pochettino, foi de gala no estádio em Los Angeles, Califórnia. Na vitória de 4 a 1 sobre o Paraguai, que abriu o Grupo D, o camisa 20 marcou dois gols ainda no primeiro tempo, garantindo a artilharia provisória do torneio.
Em uma Copa do Mundo marcada por recusa de vistos a estrangeiros, a história do herói dos EUA, com sua cidadania ‘por acaso’, torna-se um símbolo. Nada o conecta ao povo que Trump tanto celebra, mas sim aos estrangeiros que o presidente insiste em repelir.