O livro Cartas: Jorge Amado – Erico Verissimo, lançado na quinta-feira (07) na Casa Motiva, em Salvador, reúne mais de quatro décadas de correspondências entre os renomados escritores brasileiros Jorge Amado e Erico Verissimo. O lançamento ocorreu como parte da programação da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô).
A obra integra a coleção ‘Um gesto de amizade’ da Fundação Casa de Jorge Amado, que já publicou correspondências de Jorge Amado com José Saramago e Dias Gomes. Essa iniciativa visa preservar e divulgar diálogos literários históricos.
Organizada por Paloma Jorge Amado, filha do autor, e por Bete Capinan, a coletânea é um tesouro de documentos históricos, memórias afetivas e testemunhos literários. A edição conta com texto recuperado de Luís Fernando Verissimo e orelha assinada por Fernanda Verissimo, neta de Erico.
Um legado de amizade e literatura
Em entrevista durante o lançamento, Fernanda Verissimo, neta de Erico, destacou a relação afetuosa entre os escritores. Ela se surpreendeu com a profundidade com que liam e debatiam não só a obra um do outro, mas a literatura brasileira em geral.
Paloma Jorge Amado ressaltou a importância do livro para amantes da literatura nacional, abrangendo o período dos anos 30 até a morte de Erico, em 1975. As cartas revelam detalhes da criação de obras como ‘Jubiabá’, de Jorge Amado, e os processos criativos de Erico.
Curiosidades reveladas nas correspondências
Uma divertida curiosidade, revelada por Paloma, é que Jorge Amado carinhosamente chamava Luís Fernando Verissimo, filho de Erico, de ‘João’. Ele insistia que Luís Fernando ‘tinha cara de João’.
Outro momento cômico narra uma viagem de Jorge Amado à Itália, onde viu uma placa em uma livraria que o apontava como o mais importante escritor brasileiro. Minutos depois, em outra livraria, uma placa indicava Erico Verissimo com a mesma honraria.
Zélia Gattai, esposa de Jorge Amado, registrou o instante em foto. O próprio Jorge brincou, ‘Érico, por cinco minutos eu fui mais importante. Depois é você – e não tem para mais ninguém’, demonstrando o espírito de amizade entre eles.
Reflexões sobre política e sociedade
Além das trocas literárias e pessoais, as cartas abordam conselhos e reflexões sobre política, cultura e sociedade. Eles debatiam intensamente os impactos do autoritarismo e a defesa da liberdade de expressão.
Fernanda Verissimo enfatizou que desde as primeiras cartas, havia comentários sobre o Estado Novo. Nos anos 70, durante a ditadura militar, uniram-se para combater a censura prévia, reforçando sua importância como intelectuais públicos.
O vasto acervo da Fundação Casa de Jorge Amado
Todo o vasto acervo dessas correspondências e de outros materiais está sob a guarda da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador. A quantidade total é imensa, com caixas e caixas de cartas trocadas com diversas personalidades.
A gestão desse material exige cautela, respeitando a vontade de Jorge Amado de que seu acervo não fosse aberto indiscriminadamente. Paloma Jorge Amado acompanha de perto a curadoria.