Centenas de participantes da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) em Campo Grande construíram um legado importante. Eles criaram um bosque de árvores nativas e frutíferas, simbolizando a conexão entre povos e territórios. Esta ação sublinha a importância de “pensar global e agir local” na proteção das espécies migratórias.
A secretária executiva da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), Amu Fraenkel, destacou a relevância do evento. Ela afirmou que “todos têm um papel a desempenhar para a proteção das espécies migratórias”, alinhando-se ao tema “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”.
O Bosque da COP15: um futuro verde para Campo Grande
O local escolhido para o Bosque da COP15 é estratégico na criação de áreas verdes para a cidade. A bióloga Sílvia Ray Pereira, da Gerência de Arborização da prefeitura, explicou que o bosque integra um projeto para a criação de miniflorestas urbanas. O objetivo é conciliar arborização, saúde da população e atender os animais silvestres.
Foram plantadas 250 mudas de espécies nativas do Cerrado e frutíferas. Entre elas, sapoti, pitanga, angico e o manduvi, muito usado pela arara-azul para construir o ninho. A expansão das áreas verdes com o manduvi visa atrair a arara-azul, oferecendo um local seguro para sua nidificação.
Inauguração do Bosque da COP15 – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Deliberações e proteções: os resultados da plenária da COP15
A plenária que antecedeu o último dia da COP15 deliberou sobre mais de 100 itens da agenda. O consenso alcançado encaminhou a maioria das deliberações para a plenária final. João Paulo Capobianco, presidente da COP15, confirmou que as medidas seriam oficialmente adotadas pela convenção.
O Brasil liderou e apoiou medidas significativas, como a aprovação do Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos. Também promoveu ações concentradas internacionais para a conservação do tubarão-mangona e do tubarão-peregrino.
O presidente da COP15, João Paulo Capobianco, durante inauguração do Bosque da COP15 – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Novas espécies nas listas de proteção da CMS
Após a plenária final, diversas espécies foram incluídas nas listas de proteção pela CMS. No Anexo I (espécies ameaçadas de extinção), foram adicionados o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado.
No Anexo II (espécies que demandam esforços internacionais de conservação), entraram o peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e o caboclinho-do-pantanal. A ariranha e os petréis (grazinas) foram incluídos em ambas as listas.
O Brasil, buscando continuidade nas avaliações e sem consenso, retirou a proposta de inclusão do tubarão cação-anjo-espinhoso no Anexo II.