Equipes de resgate no Nepal intensificaram os esforços para alcançar centenas de pessoas presas em túneis de projetos hidrelétricos. A operação, que conta com apoio de especialistas chineses e indianos, ocorre após uma enchente devastadora que atingiu a região do Himalaia na semana passada.
A catástrofe foi provocada por uma enxurrada de gelo, rochas e lama em 26 de julho, atribuída ao colapso de uma geleira. O desastre já resultou em mais de 900 mortes, com quase 5 mil pessoas ainda desaparecidas.
Centenas de corpos, muitos não identificados e arrastados pela torrente, precisaram ser enterrados em valas rasas. O clima úmido nas planícies acelerou a decomposição, dificultando a identificação.
Os desafios do resgate nos túneis
As autoridades nepalesas concentram os esforços no resgate de 933 trabalhadores. Eles estariam presos em 11 projetos hidrelétricos, especialmente em túneis nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, os mais atingidos.
As equipes de resgate operam com máquinas de terraplenagem, removendo lama e rochas sob luz de holofotes. Soldados utilizam lanternas para abrir caminho em buracos, buscando acessos aos túneis soterrados.
O Exército nepalês emprega explosões controladas, escavadeiras e holofotes para desobstruir os túneis. Até o momento, três corpos foram recuperados após a entrada em dois túneis, mas muitas seções continuam inacessíveis.
“Uma grande quantidade de escombros se acumulou, o que representa um enorme desafio para abrirmos os túneis”, afirmou o porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet, à Reuters. “Nosso foco principal é abrir os túneis.”
Balanço das vítimas e impacto regional
Nesta segunda-feira, as autoridades nepalesas atualizaram o balanço: 903 mortos e 4.247 desaparecidos, incluindo os 933 trabalhadores hidrelétricos. Na China, no condado de Gyirong, registraram-se 16 mortes e 546 desaparecidos.
A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas foram afetadas pelo desastre. A China atribuiu a catástrofe diretamente aos efeitos das mudanças climáticas na região.
Projetos hidrelétricos e vulnerabilidade
O Nepal tem experimentado um boom de projetos hidrelétricos neste século. O país busca aproveitar seus recursos hídricos do Himalaia para suprir a escassez de energia e vender eletricidade à Índia.
Esses projetos exigem túneis para conduzir a água por terrenos íngremes. Eles aproveitam a queda de altitude entre os rios do Himalaia e as usinas para gerar eletricidade.
O primeiro-ministro Balendra Shah classificou a enchente como um “desastre natural sem precedentes e devastador”. Uma avaliação completa dos danos ainda está sendo dificultada.
Pequim reportou 261 cidadãos estrangeiros, de 23 países, desaparecidos no Tibete. Eles estavam próximos a um ponto crucial de passagem na fronteira com o Nepal.
Cooperação internacional e riscos persistentes
Embora o Nepal declare não necessitar de ajuda externa geral, o país recorre à expertise de Índia e China para resgate em túneis. Essa cooperação foca em áreas específicas de difícil acesso.
As operações de resgate sofreram diversas suspensões devido ao mau tempo e ao risco de novas inundações. Um lago formado na fronteira Nepal-China começou a transbordar, ameaçando os rios nepaleses.
A CCTV, televisão estatal chinesa, alerta para o risco contínuo de desabamento de geleiras. Elas estão localizadas ao redor de uma cratera de impacto próxima ao colapso da geleira no lado nepalês.