A escritora, roteirista e jornalista Eliana Alves Cruz alcançou um marco significativo ao vencer o prestigioso Prêmio Guimarães Rosa. Concedido pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o prêmio reconhece a melhor obra de Ficção do ano de 2025.
A autora foi premiada por seu romance “Meridiana”, que narra a complexa trajetória de ascensão social de uma família negra. O livro explora conflitos, afetos e as inerentes desigualdades presentes na sociedade brasileira contemporânea, com o anúncio oficial feito na sexta-feira (12).
Aclamação de "Meridiana" pela Academia Brasileira de Letras
A comissão julgadora da ABL descreveu “Meridiana” como uma “odisseia, ou anti-odisseia, de uma família negra”. O romance é elogiado por sua “grande intensidade emocional”, em uma trama habilmente construída que “divide polos ao pôr em trânsito os conflitos advindos de uma mudança da favela para um condomínio de classe média”.
A ABL complementa que o livro expõe um “quadro social complexo com suas adversidades cotidianas”. O texto levanta novas questões de um “repertório já secular, mas que fecha acenando para as boas novas que o futuro terá para contar”.
Reação e inspiração da autora
Eliana Alves Cruz recebeu a notícia com surpresa e grande emoção, classificando-a como “muito bonito e muito surpreendente”. Ela enfatizou ser “uma honra muito grande” ter uma obra premiada por uma instituição tão relevante para a cultura brasileira como a ABL.
A escritora também destacou o desafio da “arquitetura bem difícil” de “Meridiana”, que consiste em construir seis vozes distintas em primeira pessoa dentro da mesma família. Para Eliana, o reconhecimento de seu trabalho pode inspirar novas gerações de escritores.
Ela aconselha a “escrever o que vocês quiserem, da forma que fizer sentido para vocês”, focando na honestidade com o texto. Ao tocar o coração de quem escreve, a história alcançará diferentes pessoas e pertencimentos, afirma.
O impacto cultural e o orgulho da EBC
Antonia Pellegrino, diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), celebrou a conquista de Eliana Alves Cruz. Ela afirma que o prêmio reconhece uma obra que aborda memória, identidade e a coragem de narrar um Brasil com histórias muitas vezes silenciadas.
Pellegrino ressaltou o orgulho da EBC em ter Eliana, uma “intelectual e escritora da dimensão de Eliana”, apresentando o programa “Trilha de Letras” na TV Brasil. O programa “transforma a literatura em espaço de escuta, pensamento e encontro”.
Sobre Eliana Alves Cruz: carreira e obras
Eliana Alves Cruz é uma renomada jornalista, escritora e roteirista, reconhecida como uma das mais potentes vozes da literatura brasileira contemporânea. Suas obras, premiadas nacional e internacionalmente, exploram a ancestralidade afro-brasileira, mesclando ficção, memória e história com sensibilidade e rigor.
Seu mais recente romance, “Meridiana” (Companhia das Letras, 2025), aprofunda a análise da ascensão social de uma família negra ao longo de três gerações. Em 2022, Eliana venceu o Prêmio Jabuti com “A Vestida” e foi indicada ao International Emmy Awards 2024 como roteirista da série “Anderson Spider Silva”.
Entre suas principais obras literárias estão “Água de Barrela” (Prêmio Oliveira Silveira), “O Crime do Cais do Valongo” (semifinalista do Prêmio Oceanos), “Nada Digo de Ti, Que em Ti Não Veja” (Prêmio Raquel de Queiroz – UBE) e “Solitária” (Companhia das Letras). Ela também é autora de livros infantis e apresenta o programa “Trilha de Letras” na TV aberta, além de ter lançado “Milena e o Enigma do Pássaro Antigo” em parceria com Mauricio de Sousa.