Aos 41 anos, Sabriiny Fogaça Lopes é um exemplo de superação e perseverança. Vinte e cinco anos após ser forçada a abandonar os estudos devido a discriminações, ela foi aprovada na **Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)**. Sua história inspiradora destaca a importância de ambientes educacionais acolhedores.
O doloroso afastamento da escola
Sabriiny deixou a escola aos **15 anos de idade**, vítima de discriminações e repressões severas de colegas. Em certos momentos, ela vivenciou **agressões físicas**. Naquela época, ela não entendia que sofria transfobia ou bullying.
Ela recorda que gostava de frequentar a escola, vendo a educação como algo fundamental. “Eu gostava de ler, eu gostava de participar de todos os projetos”, contou. O afastamento a deixou incompleta, especialmente diante das dificuldades no mercado de trabalho.
A retomada dos estudos e a aprovação na UFRRJ
Motivada por amigos e pelo desejo de transformar sua vida, Sabriiny deu uma nova chance aos estudos através da **Educação de Jovens e Adultos (EJA)**. No Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, ela encontrou um ambiente acolhedor, diferente de sua juventude.
Seu receio inicial de reviver o passado foi dissipado pela aceitação e engajamento em projetos como o “Alunos Autores”. Sabriiny prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (**Enem**) duas vezes e foi aprovada em ambas, escolhendo **Licenciatura em Educação Especial**.
Com um olhar sensível para as diferenças, ela deseja contribuir para que todos tenham acesso à educação. Sabriiny foi eleita **Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico** e planeja cursar Serviço Social no futuro. “Eu quero mostrar que nunca é tarde pra começar”, afirma.
O papel fundamental da EJA na inclusão
A EJA é crucial para quem não teve acesso ou não concluiu a educação básica. Dados do Censo Escolar 2024 indicam cerca de **2,4 milhões de estudantes na EJA** no Brasil, com a maioria na rede pública. Esta modalidade oferece a chance de cursar o ensino fundamental e médio.
Apesar de sua importância, estudantes da EJA enfrentam mais desafios para acessar o ensino superior. Enquanto no ensino regular **30%** dos alunos ingressam na universidade após os estudos, na EJA, esse percentual é de apenas **9%**, segundo o Censo da Educação Superior 2023.
Desafios e cotas para a população trans no ensino superior
O acesso ao ensino superior é ainda mais desafiador para a população trans e travesti no Brasil. Dados da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra) de 2024 revelam que **apenas 0,3% dessa população consegue ingressar na universidade**. Além disso, mais de **70% não completaram o ensino médio**.
Essa exclusão é atribuída à transfobia institucional e social. Um importante caminho para a inclusão tem sido a implementação de cotas: **38 universidades públicas** no Brasil já oferecem reservas de vagas para pessoas trans.