Ficar muito tempo sentado e adiar a atividade física parecem inofensivos, mas o sedentarismo impacta o corpo de formas silenciosas. Além dos músculos óbvios, como pernas e braços, a falta de movimento enfraquece regiões internas e profundas que sustentam a postura e a respiração.
Entender esses efeitos é crucial para prevenir dores, perda de força e limitações funcionais que podem surgir no dia a dia.
O impacto do sedentarismo nos músculos
Quando o corpo permanece inativo, os músculos entram em desuso e perdem força, resistência e coordenação. Esse processo, conhecido como atrofia por desuso, reduz o tamanho e a eficiência das fibras musculares, mesmo sem perda de peso aparente.
Além disso, o sedentarismo diminui a circulação e a oxigenação muscular, favorecendo rigidez, encurtamentos e dores. Tarefas simples, como subir escadas, exigem mais esforço do que deveriam.
Entenda por que o corpo humano não foi projetado para a inatividade da vida moderna. O vídeo do canal Drauzio Varella, com mais de 3,5 milhões de inscritos, detalha como o sedentarismo causa doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.
Músculos esquecidos: além de braços e pernas
Músculos profundos e pouco lembrados sofrem significativamente com o sedentarismo. São eles que mantêm o corpo alinhado e protegido, mesmo sem dor imediata.
Entre os mais impactados estão os músculos do assoalho pélvico, os músculos profundos do abdômen (core) e os músculos intercostais, ligados à respiração. A fraqueza nessas regiões pode desencadear problemas em cadeia.
Sedentarismo e a saúde do cérebro
O sedentarismo afeta o cérebro ao reduzir a circulação sanguínea, a oxigenação e a produção de substâncias essenciais. Isso impacta memória, foco e equilíbrio emocional, conforme o artigo científico “Sedentary Behavior and Lifespan Brain Health”.
A falta de atividade física está associada a maior risco de ansiedade, depressão e dificuldades de concentração. O movimento regular estimula neurotransmissores como dopamina e serotonina, fundamentais para o humor e a motivação.
Sem esse estímulo, o cérebro entra em um estado de “economia de energia”, afetando raciocínio e clareza mental. Assista à explicação detalhada no canal Marcio Atalla sobre a conexão entre força física e longevidade cerebral.
Postura e o core: o que o sedentarismo esconde
O sedentarismo enfraquece o core, o conjunto de músculos que estabiliza a coluna e sustenta a postura. Isso inclui o transverso do abdômen, multífidos e músculos lombares profundos.
Com a inatividade, a coluna perde suporte e fica mais suscetível a sobrecargas, conforme artigos científicos recentes do PubMed Central. O resultado pode ser dor lombar recorrente, rigidez ao acordar e postura curvada.
A respiração: um músculo que você não vê ser afetado
Sim, o sedentarismo também afeta os músculos respiratórios, como o diafragma e os intercostais, reduzindo a eficiência da respiração. Longos períodos sentados, especialmente com postura curvada, limitam essa ação.
Com isso, a respiração tende a ficar mais curta e superficial, impactando energia, concentração e controle do estresse. A sensação de cansaço frequente pode ter relação direta com essa limitação muscular.
Assoalho pélvico: um suporte essencial
O sedentarismo pode enfraquecer os músculos do assoalho pélvico, mesmo sem sintomas imediatos. Esses músculos sustentam órgãos internos e participam do controle urinário e da estabilidade do tronco.
A falta de movimento e estímulos reduz a tonicidade da região. Com o tempo, podem surgir desconfortos, perda de estabilidade e impacto negativo na qualidade de vida, especialmente em mulheres.
A recuperação do físico não é uma corrida, é uma reconstrução. Cada treino feito com consciência fortalece não só o corpo, mas também a confiança. // Créditos: depositphotos.com / yobro10