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Início » Copa do Mundo sem refrigerante? Campanha global desafia Fifa por patrocínios saudáveis
Esportes

Copa do Mundo sem refrigerante? Campanha global desafia Fifa por patrocínios saudáveis

Fernanda FigueiredoPor Fernanda Figueiredo14 de julho de 20263 Minutos de Leitura
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© tiremorefrigerantedecampo/Instagram

Uma campanha internacional está ganhando força para que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) encerre os patrocínios de fabricantes de bebidas açucaradas em suas competições, incluindo a Copa do Mundo. A iniciativa, batizada de “Tirem o Refrigerante de Campo”, visa proteger a saúde dos torcedores e, em especial, das crianças e adolescentes.

A ação pressiona diretamente a Fifa a rever seus contratos de patrocínio, dos quais a Coca-Cola é uma das marcas mais proeminentes. O objetivo é remover a associação entre o esporte e produtos considerados prejudiciais à saúde.

A ameaça à saúde por trás do patrocínio

O principal motor da campanha é a crescente preocupação com a saúde pública. Estudos comprovam a forte ligação entre bebidas açucaradas, como refrigerantes, e o aumento de casos de obesidade, diabetes tipo 2 e diversas outras doenças crônicas.

Mais de 100 organizações da sociedade civil de diferentes países apoiam a campanha, focando nas áreas de saúde, meio ambiente e direitos da infância. Entre as oito entidades brasileiras, destacam-se o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), o Instituto Desiderata e a Aliança pela Alimentação Saudável.

Dados da campanha apontam riscos alarmantes: para cada aumento de 250 mililitros (ml) na ingestão diária de bebidas adoçadas, o risco de obesidade cresce 12%; o de diabetes tipo 2 sobe 19%; e a mortalidade por causas cardiovasculares fica 13% mais alta. O risco de mortalidade por todas as causas aumenta 5%.

Um refrigerante padrão de 355 ml já excede a quantidade diária recomendada de calorias provenientes de açúcares livres para a maioria das crianças e adolescentes, sublinham os ativistas.

A carta à Fifa e o "sportswashing"

A iniciativa já angariou centenas de milhares de apoiadores e enviou uma carta aberta ao presidente da Fifa, Giovanni Infantino. No documento, as entidades expressam profunda preocupação com a prática de “sportswashing”.

O termo “sportswashing”, ou “maquiagem esportiva”, descreve a estratégia de marcas de refrigerante em associar seus produtos a esportes e à ideia de bem-estar. Isso cria uma falsa percepção de saúde, especialmente prejudicial para o público jovem.

A carta alerta: “Durante o torneio de 2026, até 6 bilhões de torcedores – muitos deles crianças – verão campanhas publicitárias que associam as maiores estrelas do futebol a bebidas açucaradas ligadas à obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças relacionadas à alimentação”.

As entidades concluem: “Isso é sportswashing: usar o poder do futebol para normalizar produtos prejudiciais à saúde. O futebol merece mais. Os torcedores merecem mais”.

Renata Couto, diretora executiva do Instituto Desiderata, enfatiza os impactos da publicidade de refrigerantes em crianças e adolescentes. Ela ressalta que é uma estratégia de marketing eficaz para fidelizar esses públicos, moldando comportamentos de consumo alimentar não saudáveis com consequências a curto, médio e longo prazos.

Precedente histórico: o caso do tabaco

A campanha recorda que a indústria do tabaco enfrentou pressão semelhante no passado, resultando na sua exclusão como patrocinadora de eventos esportivos. Um exemplo notável é a Fórmula 1, que nas décadas de 1990 e 2000, gradualmente removeu as companhias de tabaco de suas listas de patrocinadores principais.

Apesar do pedido de comentários da Agência Brasil, a Fifa não se manifestou sobre o assunto até o momento da conclusão desta reportagem.

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