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Início » Pioneiras do futebol feminino: histórias de superação e a luta por reconhecimento na TV Brasil
Esportes

Pioneiras do futebol feminino: histórias de superação e a luta por reconhecimento na TV Brasil

Fernanda FigueiredoPor Fernanda Figueiredo27 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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© Rodrigo Peixoto/TV Brasil

O programa Sem Censura, da TV Brasil, exibido na última sexta-feira (26), destacou a trajetória de três mulheres pioneiras no futebol feminino. Elas compartilharam suas histórias em um esporte que, por decreto de Getúlio Vargas, foi proibido no Brasil desde os anos 1940.

A regulamentação da modalidade só ocorreu em 1980. Nesse contexto de desafios, o Esporte Clube Radar, localizado em Copacabana, Rio de Janeiro, emergiu como um dos grandes precursores.

As vozes que moldaram o futebol feminino

Entre as convidadas estavam nomes lendários do futebol brasileiro: Marilza Martins da Silva, conhecida como Pelezinha; Marisa Pires, a Caju, que foi a primeira capitã da seleção brasileira feminina; e Márcia Matos, a Russa.

Russa, por sua vez, deixou sua marca ao participar do Mundialito e conquistar o bicampeonato sul-americano nos anos de 1991 e 1995, solidificando seu legado no esporte.

Esporte Clube Radar: o berço do futebol feminino

As atletas convidadas faziam parte do Esporte Clube Radar, fundado em 1932 na zona sul carioca. Sob a visão do empresário Eurico Lyra, o clube adotou o futebol feminino em 1981.

O Radar não apenas formou grandes talentos, mas também serviu de base para a seleção brasileira feminina durante a década de 80. Foi Eurico quem apelidou Marilza de Pelezinha, impressionado com sua agilidade e leveza nos treinos.

A emoção de representar o Brasil

Em 1988, uma notícia transformadora chegou: as atletas do Radar representariam a Seleção Brasileira Feminina de Futebol na China. A emoção de vestir a camisa amarelinha, com o emblema da CBF e o escudo do clube, foi indescritível.

Pelezinha compartilhou que, inicialmente, não tinha a clareza de um sonho de jogar na seleção. O grande objetivo era, na verdade, participar do primeiro mundial feminino. A convocação para o torneio na China concretizou um desejo que parecia distante.

Estádios lotados e a ausência de salários

Marisa Pires, a capitã Caju, desmistificou a ideia de que o futebol feminino não atraía público no passado. Ela relembrou que, desde o 1º Campeonato Sul-Americano de 1995, em Uberlândia (MG), os estádios estavam sempre cheios.

A surpresa do público masculino ao ver a qualidade do jogo feminino era comum. Caju destacou a ausência de salários para as jogadoras na época, que dependiam de “bichos” por vitória. A persistência, o amor e a paixão foram o que impulsionaram o esporte.

O reconhecimento tardio: indenização para pioneiras

A conversa abordou a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estabelece o pagamento de R$ 500 mil para atletas do futebol feminino que representaram o Brasil entre 1988 e 1991. A medida inclui também os familiares de jogadoras falecidas.

Caju expressou a emoção após 38 anos de espera, ressaltando que, apesar de tardio, o reconhecimento é muito bem-vindo. Pelezinha, aos 62 anos, e Caju, aos 59, celebraram a concretização de parte de seus sonhos e a possibilidade de um futuro mais tranquilo.

O choro de Caju simbolizou a vitória de toda uma geração que lutou pelo futebol feminino no país.

O papel fundamental de Marileia dos Santos

Márcia Matos, a Russa, fez questão de agradecer a Marileia dos Santos, a Michel Jackson. Atualmente no Ministério do Esporte, Michel trabalhou incansavelmente por oito anos para que a lei de indenização fosse sancionada.

A gratidão à Michel é imensa, pois sua dedicação garantiu que as pioneiras do futebol feminino brasileiro finalmente recebessem o merecido reconhecimento financeiro, fruto de sua luta e persistência.

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