Em celebração ao Ano Cultural Brasil-China, a exposição “Sabores da Tradição: história da alimentação na China antiga” será inaugurada no **sábado, 27 de maio**.
A mostra acontece no **Museu Histórico Nacional (MHN)**, no centro do Rio de Janeiro. Ela explora milênios da civilização chinesa pela lente de uma de suas expressões mais fundamentais: a culinária.
Detalhes da exposição: o que você vai encontrar
Com **121 objetos** vindos do Museu Nacional da China, em Pequim, a exibição estará aberta ao público até **11 de outubro**.
Mostra reúne objetos originários do Museu Nacional da China – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A **entrada é gratuita**, proporcionando acesso a um percurso que cobre a história desde a pré-história agrícola até **1911**. Este período marca o encerramento da dinastia Qing e da China imperial.
O recorte da exposição foca na **China antiga**, anterior à República, e suas transformações até o século 20.
Os núcleos temáticos e a riqueza dos objetos
A exposição é organizada em **cinco núcleos temáticos**, cada um iluminando uma camada distinta da relação entre os chineses e sua cultura alimentar.
Uma jornada cultural pelos sabores
Os temas incluem “Uma alimentação variada como base da nutrição”, “Alimentos cozidos e bebidas quentes”, e “Reverenciar o Céu e cumprir os ritos”.
Outros núcleos são “Deleitar os olhos, apaziguar o espírito” e “Beleza compartilhada em harmonia”, oferecendo uma visão completa e aprofundada.
Os curadores explicam que a alimentação é o domínio da vida humana onde mais dimensões da cultura se encontram simultaneamente.
Os **121 objetos** abrangem um período de aproximadamente **10 mil anos**. A diversidade de materiais chama a atenção.
Entre os materiais destacam-se cerâmica, bronze, porcelana, ouro, prata, jade, pedras preciosas, laca e madeira.
Exposição chama a atenção pela cerâmica, bronze, porcelana, ouro, prata, jade, pedras preciosas, laca e madeira – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Visão dos especialistas: a importância da comida e da alteridade
Segurança alimentar e organização social
Cícero de Almeida, diretor do MHN, ressalta que a segurança alimentar era uma questão política fundamental para as dinastias chinesas, buscando evitar rebeliões sociais.
Ele explica que a alimentação tem importância vital sob os pontos de vista material, espiritual e de organização social.
O diretor acrescenta que o compartilhamento das refeições possui um ritual significativo, desde o servir à mesa até a delicadeza dos recipientes.
Milênios de história e a perspectiva global
Giancarlo Hannud, consultor de conteúdo e tradutor da mostra, destaca que a peça mais antiga é um triturador e moedor de trigo de **12 mil anos**.
Hannud enfatiza que a exposição convida a refletir sobre a “alteridade”, percebendo que o mundo é imenso e possui inúmeras formas de habitar, além da cultura ocidental.
Segundo a curadoria, a China está entre os **berços da agricultura do milheto e do arroz**, sendo também uma das primeiras regiões a domesticar animais como o cachorro, o porco e a galinha.
Por volta de **4 mil anos atrás**, espécies como carneiro, gado bovino e cavalo, assim como o cultivo do trigo, chegaram ao território chinês vindas da Ásia Ocidental.