O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está impedindo a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca encerrar a escala de trabalho 6×1 no Brasil. O texto permanece na Mesa Diretora da Casa, sem ser encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Essa decisão tem gerado repercussão e questionamentos sobre os motivos por trás do atraso. Uma reunião entre Alcolumbre e o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), foi desmarcada, reforçando a paralisação.
O que a PEC do fim da 6×1 propõe?
A **PEC 221 de 2019** estabelece a obrigatoriedade de dois dias de descanso remunerado por semana para os trabalhadores. Além disso, a proposta visa reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para **40 horas semanais** em todo o país.
Por que a tramitação está travada?
A cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), avalia que o adiamento reflete preocupações com os impactos econômicos. Há também forte resistência de setores empresariais à redução da jornada de trabalho no Brasil.
Em ano eleitoral, líderes políticos preferem administrar o tempo de discussão para evitar assumir cursos imediatos sobre temas de alta repercussão social. O presidente do Senado mantém o controle sobre a agenda, enquanto negociações ocorrem nos bastidores.
PEC alternativa e pressão governista
Enquanto a PEC original está parada, Davi Alcolumbre enviou à CCJ uma PEC alternativa apresentada pela oposição. Esta proposta mantém a atual escala de trabalho no Brasil e permite a contratação por hora trabalhada.
Lideranças governistas esperam votar a PEC do fim da 6×1, que veio da Câmara sem alterações, ainda neste semestre. O recesso Legislativo está previsto para começar em **18 de julho**.
Senadores como Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) e Teresa Leitão (PT-PE) têm cobrado a priorização da PEC. Eles defendem a medida como essencial para a dignidade e valorização dos trabalhadores no país.
Debate sobre custos e prioridades de Alcolumbre
O senador Hermes Klann (PL-SC), da oposição, critica a PEC por reduzir a jornada sem apresentar solução para compensar os custos. Ele argumenta que ‘alguém vai pagar’ essa conta, provavelmente a própria população.
Por outro lado, o senador Romário (PL-RJ), também da oposição, se manifestou favorável à proposta. Ele defende medidas que garantam mais direitos aos trabalhadores brasileiros.
Alcolumbre, ao ser questionado sobre o piso salarial dos garis (R$ 3 mil), alegou ter 31 projetos similares sob sua análise. Ele justifica que pautar um desses projetos forçaria a pautar todos, gerando aumento de gastos em ano eleitoral, o que considera ‘complexo’.