A empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos teve seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS interrompido. Ela passou mal durante as perguntas do relator Alfredo Gaspar (União-AL). O presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu os trabalhos imediatamente para atendimento médico.
Ingrid deixou a sessão antes da conclusão da oitiva, gerando novos desdobramentos na investigação. O incidente ocorreu em um momento crucial das apurações da CPMI.
O envolvimento da empresária no esquema do INSS
Ingrid Santos é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos. Ambos estão ligados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Essa entidade é apontada como beneficiária de mais de R$ 100 milhões, provenientes de descontos ilegais em benefícios previdenciários. Cícero é tido como operador e assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, um dos investigados pela CPMI.
Segundo as investigações da CPMI, parte dos recursos desviados era movimentada em contas de empresas que tinham Ingrid como sócia.
Depoimento marcado por silêncio e mal-estar
Antes de comparecer à CPMI, a empresária obteve um habeas corpus concedido pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Este documento a autorizava a permanecer em silêncio durante todo o depoimento, protegendo-a da autoincriminação.
Ingrid foi questionada sobre as atividades de seu marido e se tinha conhecimento do envolvimento das empresas no esquema de descontos indevidos do INSS. Ao relator, ela respondeu que não possuía conhecimento e que não se envolvia com a gestão das empresas.
Ela atribuiu a responsabilidade da gestão financeira e operacional das empresas exclusivamente a Cícero Santos. “Em relação a empresas, transferências, eu não vou conseguir responder nada para vocês, porque quem geria tudo isso, como ele falou aqui para todos vocês, era o meu esposo, Cícero”, declarou.
A empresária também expressou seu profundo desconforto com a situação. “Para mim, tudo isso aqui é uma surpresa, inclusive estar aqui também está sendo muito difícil”, disse pouco antes de passar mal.
Após a retomada dos trabalhos, o relator Alfredo Gaspar fez uma declaração contundente. “A depoente recebeu, além do repassado nas contas da empresa, mais de R$ 13 milhões, infelizmente dinheiro dos aposentados e pensionistas do Brasil”, afirmou ele.
Gaspar enfatizou a gravidade do crime praticado, que gerou um “prejuízo bilionário”. Ele reforçou que o objetivo da CPMI é garantir que todos os responsáveis respondam por suas ações, independentemente de quem sejam.
Outros desdobramentos da CPMI do INSS
O presidente da CPMI, Carlos Viana, anunciou que vai recorrer da decisão do ministro André Mendonça (STF). A decisão desobrigou o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, de depor ao colegiado, apesar de estar em prisão domiciliar.
Vorcaro era convocado para esclarecer irregularidades em empréstimos consignados e os prejuízos a aposentados e pensionistas. O Banco Master mantinha acordo de cooperação técnica com o INSS para oferta de crédito consignado.
Viana também solicitou a prorrogação dos trabalhos da CPMI por, no mínimo, 60 dias. O pedido foi protocolado na Casa para decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas ainda não houve resposta.
Diante da falta de retorno, o presidente da comissão cogita recorrer ao STF para assegurar a continuidade das investigações. Os trabalhos da CPMI foram iniciados em 20 de agosto.