O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a luta contra o feminicídio e a violência contra a mulher deve ser prioritariamente dos homens. A declaração foi feita nesta quarta-feira (4) durante a assinatura do decreto que institui o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.
A convocação de Lula aos homens
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, Lula enfatizou a responsabilidade masculina. ‘Não basta não ser um agressor. É também preciso lutar para que não haja mais agressões’, disse o presidente.
Ele afirmou que ‘cada homem desse país tem uma missão a cumprir’, expandindo o conceito da luta.
O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio
O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio prevê atuações coordenadas e permanentes entre os Três Poderes. O objetivo é prevenir a violência contra meninas e mulheres em todo o Brasil.
Segundo Lula, a novidade é que, pela primeira vez, a responsabilidade pela defesa da mulher não recai apenas sobre elas.
Conscientização em todas as esferas
O presidente ressaltou que a questão do feminicídio deve ser debatida em ambientes como a porta da fábrica e assembleias de trabalhadores. Ele pediu que seja um tema para discursos de deputados e deputadas.
Lula também destacou a importância de conscientizar crianças, sugerindo que professores abordem o tema da creche à universidade. ‘Esta é a possibilidade de criarmos uma nova civilização’, completou.
A violência doméstica e o empoderamento feminino
Lula lembrou que o ambiente doméstico é um palco constante de violência, onde mulheres morrem pelas mãos de atuais ou ex-parceiros. Ele também citou casos de desconhecidos e de homens que não aceitam liderança feminina.
O presidente concluiu: ‘Lugar da mulher é onde ela quiser estar’, defendendo o avanço das mulheres em posições de liderança por justiça e merecimento.
Apelos da primeira-dama e ministra
A primeira-dama Janja da Silva abriu a cerimônia lendo o relato de uma mulher vítima de agressão que não recebeu ajuda. Janja pediu que os homens também se posicionem ao lado das vítimas.
Ela reforçou o compromisso de construir uma sociedade onde as mulheres vivam em paz, solicitando a participação masculina: ‘Queremos vocês, homens, nessa luta, ao nosso lado’.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou a pauta como prioritária para o governo. Ela mencionou uma campanha estratégica de utilidade pública e a adesão de estados e municípios.
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Compromisso dos Três Poderes
As instituições brasileiras demonstraram união no combate ao feminicídio.
Judiciário: além da lei fria
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu que as mudanças não se limitem à letra da lei. Ele enfatizou a necessidade de agir em várias frentes para prevenir, responsabilizar e proteger as mulheres.
Fachin ressaltou que ‘a mudança na lei deve estar acompanhada de uma mudança de mentes e corações’. Ele afirmou que o Judiciário assinou o pacto com senso de urgência e esperança.
Legislativo: endurecimento das leis
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, lembrou que o Brasil registrou uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em 2025. Ele classificou a ação prevista pelo pacto como inadiável.
Mota assegurou que o Legislativo atuará para o endurecimento das leis, visando punir quem cometer violência contra a mulher. ‘Conte com nossa prioridade nessa agenda’, concluiu.
Senado: problema de Estado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que o feminicídio não é apenas uma estatística, mas ‘uma chaga aberta na sociedade brasileira’. Ele destacou que o problema deve ser tratado como questão de Estado, e não de governo.