O governo brasileiro repudiou veementemente a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti nos Estados Unidos. A medida, anunciada nesta terça-feira (4), foi justificada pelos norte-americanos pela suposta demora do Brasil em aprovar um diplomata indicado. No entanto, o Brasil classificou as alegações como falsas, elevando a tensão diplomática entre as nações.
Entenda a decisão dos EUA
O Departamento de Estado dos EUA informou que a revogação do visto da embaixadora brasileira ocorreu pela alegada lentidão do Brasil. Essa demora seria na concessão de aprovação diplomática (agrément) para o indicado do governo Trump. O agrément é um passo essencial para que o diplomata assuma a embaixada norte-americana em Brasília.
A resposta categórica do Brasil
Em nota oficial, o governo brasileiro refutou as justificativas dos EUA, afirmando serem inverídicas. O Brasil acusou os Estados Unidos de desrespeitar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Isso ocorreu ao divulgar o nome do indicado antes da anuência do país anfitrião.
A nota ressaltou que o pedido norte-americano ainda estava sob análise. Além disso, a Convenção de Viena não estabelece prazos para a concessão do agrément.
Acusações de "medidas hostis" e interferência eleitoral
A reação brasileira não se limitou ao caso do visto. O governo também mencionou a negativa de entrada a dois funcionários dos EUA no Brasil. A justificativa foi a suspeita de que a presença deles visava questionar o sistema eleitoral brasileiro.
Havia um “interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, segundo a nota oficial.
Escalada diplomática
O Palácio do Planalto interpretou o episódio como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil. Essas ações, segundo a nota, seriam movidas por “razões ideológicas” incompatíveis com uma parceria baseada em respeito mútuo.
Histórico de tensões e busca por diálogo
O governo brasileiro relembrou que autoridades nacionais, incluindo funcionários e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda enfrentam sanções da Lei Magnitsky. Essas medidas foram impostas pelo governo norte-americano após a condenação de Jair Bolsonaro por acusações de golpe de Estado.
Em um esforço para o diálogo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua visita a Washington em maio último, solicitou diretamente ao então presidente Trump o levantamento das sanções individuais.