O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) revelou os resultados da Operação Rede Interrompida, deflagrada nesta terça-feira (4) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
A investigação teve início em junho, após um relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP) monitorar conversas em grupos abertos de Telegram.
Planos violentos miravam Brasília
O grupo investigado discutia o planejamento de atos violentos na capital federal. Entre os alvos estavam invasões a prédios públicos, como a Esplanada dos Ministérios e o Supremo Tribunal Federal, além de atentados a bomba durante debates eleitorais.
O diretor Anchieta Nery, da Diopi/Senasp, esclareceu que a operação não visava apenas opiniões em redes sociais. Segundo ele, havia um “planejamento de atos severos de violência”, justificando a necessidade de uma ação rápida e integrada para prevenir incidentes.
Atuação integrada para proteção nacional
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou o papel crucial do Ciberlab na produção de inteligência. A atuação integrada, segundo o ministro, melhora o combate aos crimes.
O MJSP cumpriu sua função de articulador nacional, promovendo cooperação entre a União e os estados. Isso fortaleceu o sistema de proteção da sociedade, compartilhando informações estratégicas e coordenando esforços.
Apreensões revelam seriedade dos planos
A PCDF contou com o apoio de forças policiais de cinco estados para desarticular a rede de extremistas. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
O delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, confirmou que as polícias estaduais participaram ativamente do monitoramento e localização dos alvos. O objetivo foi identificar precocemente processos de radicalização e intervir antes de atos violentos.
Materiais apreendidos e alvos estratégicos
Entre os materiais apreendidos estão manuais para fabricar explosivos e mapas da região central de Brasília. Também foram encontrados mapas de ministérios e a planta baixa do Palácio do Planalto, considerados alvos primários pelos investigados.
O chefe da PCDF ressaltou a importância de proteger cidadãos, autoridades e o patrimônio público e particular de Brasília, que frequentemente aparece como alvo dessas tentativas de violência.
Perfil dos investigados na operação
O coordenador de inteligência da PCDF, delegado Maurílio Coelho, explicou que inicialmente não houve mandados de prisão. Os oito investigados possuem idades entre 19 e 31 anos, com predominância na faixa dos 19 aos 25 anos.
Os suspeitos atuam em diferentes áreas profissionais ou estão desempregados. Nenhum deles possui antecedentes criminais e, conforme detalhado por Maurílio Coelho, os membros não se conhecem pessoalmente, apenas pela internet.
Disseminação de ódio e misoginia online
Além do recrutamento de novos membros, as conversas abertas dos suspeitos serviram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos. A secretária Nacional de Acesso à Justiça do MJSP, Sheila de Carvalho, classificou o combate ao ódio nas redes como um dos maiores desafios do país.
Sheila Carvalho também destacou o Pacto Brasil contra o Feminicídio, que une os três Poderes para proteger mulheres e meninas. Ela detalhou as quatro frentes da Estratégia Nacional Mulher Segura, incluindo o Sistema Integrado Mulher Segura, que fortalece a atuação estratégica das unidades federativas.