A Polícia Civil do Rio de Janeiro busca novas provas contra os envolvidos em estupros de estudantes do Colégio Federal Pedro II, localizado no Rio de Janeiro. Os investigadores esperam obter dados de celulares e computadores de um adolescente denunciado à Justiça por dois crimes de estupro, apontado como mentor dos ataques.
Não se descarta ainda o pedido de quebra de sigilo telefônico dos quatro réus envolvidos no estupro coletivo de uma jovem de 17 anos em Copacabana.
Apreensão de equipamentos e sigilo telemático
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Ângelo Lages, o pedido de busca e apreensão de equipamentos do adolescente, embora não acatado pela Justiça até o momento, é crucial para elucidar as denúncias. “O adolescente era a mente por trás disso tudo. Ele tinha a confiança das vítimas”, afirmou Lages.
A apreensão do celular, seguida da quebra de sigilo telemático, pode revelar mais detalhes da participação dele e dos demais no crime de Copacabana e em outra denúncia registrada recentemente.
Caso Copacabana e status legal
Dos cinco rapazes envolvidos no estupro da jovem de 17 anos em Copacabana, o adolescente é o único que não teve a internação determinada pela Justiça, apesar do pedido da Polícia Civil. Ele responde pelo crime em liberdade. O Ministério Público do Rio (MPRJ) informou que medidas cautelares ainda podem ser solicitadas durante a investigação.
Denúncias adicionais no Colégio Pedro II
Após a divulgação do caso de Copacabana, mais duas vítimas do Colégio Pedro II procuraram a polícia para denunciar estupros com a participação de integrantes do mesmo grupo. Uma das denúncias é de uma vítima que tinha 14 anos na época, estuprada em 2023 em um apartamento no Maracanã, com o ato gravado e usado para chantagem.
A segunda vítima também relatou que a ação foi filmada, com o delegado apontando o mesmo “modus operandi” em ambos os casos. “Era o mesmo modus operandi da ação contra essa vítima que sofreu abuso em Copa”, completou Lages.
Dinâmica dos ataques e desdobramentos
Nos dois casos, o adolescente preparou uma emboscada, atraindo as vítimas para apartamentos onde outros homens praticavam a violência sexual e agressões físicas. A polícia não tinha autorização para apreensão de celulares no início das investigações, o que dificultou a coleta de provas.
O grêmio estudantil do Colégio Pedro II divulgou uma nota pedindo a expulsão dos alunos envolvidos, incluindo o adolescente e Vitor Hugo Simonin, citando histórico de assédio e vazamento de vídeos. A Polícia Civil pretende acionar a escola para obter informações sobre denúncias anteriores.
A defesa de Vitor Simonin nega o estupro coletivo, apesar das lesões da vítima atestadas por legista. O delegado Ângelo Lages reiterou a importância do consentimento: “Os meninos, principalmente, precisam saber que não é não. A partir do momento que não houver mais consentimento, há um crime”, alertou.
Canais de denúncia
Para denúncias de violência doméstica ou sexual, procure uma delegacia especializada ou disque 180 do seu telefone.