Por quase três décadas, a seleção argentina conviveu com um incômodo jejum de títulos. No entanto, o cenário mudou radicalmente nos últimos anos, culminando em uma sequência histórica de conquistas.
Para entender essa transformação, é preciso revisitar a Copa do Mundo de 2018 na Rússia e, especialmente, a Copa América de 2019 no Brasil. Mesmo sem o troféu continental, a Argentina voltou para casa com a sensação de que algo maior estava por vir.
O turbulento caminho até 2019
A participação da Argentina na Copa do Mundo de 2018 foi decepcionante. Na fase de grupos, a equipe empatou com a Islândia, com Lionel Messi perdendo um pênalti, e sofreu uma derrota por 3 a 0 para a Croácia.
Na Copa da Rússia (2018), os argentinos pederam por 3 a 0 para Croácia, em uma partida sofrível, na qual Messi pouca diferença fez em campo – Carlos Barria/Reuters/Direitos reservados
Após o revés contra os croatas, o técnico Jorge Sampaoli enfrentou um motim do elenco, liderado por Messi e Javier Mascherano. Eles exigiram maior participação nas decisões da equipe.
Com mudanças determinadas pelos próprios jogadores, a Argentina venceu a Nigéria por 2 a 1, mas foi eliminada pela França nas oitavas de final. O sonho do tricampeonato mundial foi adiado mais uma vez.
Sampaoli deixou o cargo antes do término de seu contrato, em meio a uma crise na Associação de Futebol Argentino (AFA). A entidade, afetada pelo ‘Fifagate’, levou dois meses para anunciar um novo treinador.
A solução provisória veio com Lionel Scaloni e Pablo Aimar, que assumiram interinamente vindos da seleção sub-20. Scaloni foi posteriormente efetivado até a Copa América de 2019, mesmo sem experiência prévia.
A nomeação de Scaloni foi amplamente criticada pela mídia e por ídolos como Diego Maradona. Muitos duvidavam da sua capacidade de comandar a seleção principal.
A Copa América de 2019: o ponto de virada
A Copa América de 2019 marcou uma profunda renovação no elenco argentino. Dos 23 jogadores que estiveram na Rússia, apenas 10 remanescentes participaram, como Messi, Agüero e Di María.
Nove atletas estrearam em uma competição oficial pela seleção principal. Entre eles, nomes como Rodrigo De Paul, Leandro Paredes e Lautaro Martínez, que seriam campeões mundiais em 2022.
A trajetória na Copa América foi desafiadora, com derrota para a Colômbia e empate com o Paraguai. A vitória sobre o Catar garantiu a classificação para as quartas de final, onde superaram a Venezuela.
Nas semifinais, a Argentina enfrentou o Brasil e, apesar de uma boa atuação, perdeu por 2 a 0. O resultado gerou intensa reclamação dos argentinos em relação à arbitragem.
Para a surpresa de muitos, Lionel Messi, antes criticado por sua suposta passividade, tornou-se o porta-voz da revolta. O craque chegou a falar em ‘armação’ para a vitória do Brasil no torneio.
A Argentina encerrou sua participação na Copa América de 2019 em terceiro lugar, após vencer o Chile por 2 a 1. Este torneio, apesar de não ter sido um título, foi crucial para a formação da ‘Scaloneta’.