Niterói registrou, entre janeiro e setembro de 2026, o menor volume de roubos de rua para o período desde o início da série histórica em 2003. Com 557 ocorrências contabilizadas, a cidade apresentou uma redução de 38,72% em comparação aos 909 casos registrados nos mesmos meses de 2025. Os dados refletem o impacto das políticas de segurança integrada implementadas no município.
Os números, compilados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) e analisados pelo Observatório de Segurança Pública de Niterói (OSPNit), apontam uma tendência de queda consolidada. Somente no mês de setembro, o município registrou 50 ocorrências de roubo de rua, o que representa um recuo de 12,28% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Queda histórica nos registros de roubos de rua e celulares
A redução dos indicadores de criminalidade em Niterói abrange diversas modalidades de delitos patrimoniais. Entre janeiro e setembro, os roubos a transeuntes caíram 34,66%, passando de 580 para 379 casos, estabelecendo o menor acumulado da história recente do município. Essa queda impacta diretamente a sensação de segurança dos cidadãos que circulam pelas vias públicas.
Outros índices também apresentaram retrações significativas no acumulado do ano:
- Roubos de aparelhos celulares: queda de 43,48% (de 299 para 169 casos).
- Roubos em coletivos: redução de 66,67% (de 30 para 10 ocorrências).
- Furtos de bicicletas: diminuição de 42,61%.
- Furtos de veículos: recuo de 22,19%.
O prefeito Rodrigo Neves destacou que os resultados são fruto de uma política pública construída com planejamento e inteligência. Segundo o gestor, o foco das ações está na presença ostensiva nas ruas e na prevenção de crimes que afetam o cotidiano da população, permitindo correções de rumo baseadas em dados técnicos.
Redução acentuada nos roubos de veículos e cargas em setembro
Um dos destaques do levantamento é a queda drástica no roubo de veículos, que atingiu 78,57% em setembro deste ano. Foram apenas três ocorrências registradas, contra 14 no mesmo mês de 2025. Na comparação direta com agosto de 2026, quando houve nove casos, a retração foi de 66,67%, consolidando um cenário positivo para os proprietários de automóveis.
Niterói também se diferenciou de cidades vizinhas no combate ao roubo de cargas. Enquanto municípios como São Gonçalo e Itaboraí registraram altas expressivas, Niterói teve queda de 60% entre janeiro e agosto. Em setembro, não houve nenhum registro deste tipo de crime na cidade, segundo as estatísticas oficiais do Instituto de Segurança Pública.
De acordo com Felipe Ordacgy, secretário do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), o uso de evidências permite identificar mudanças na dinâmica criminal com rapidez. Essa agilidade subsidia o planejamento das operações integradas entre as polícias Civil, Militar e a Guarda Municipal, focando nos locais de maior incidência.
Investimento em tecnologia e integração das forças de segurança
A estratégia de segurança de Niterói conta com aportes financeiros robustos e suporte tecnológico avançado. O município renovou o convênio do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) por mais dois anos, com investimento previsto de aproximadamente R$ 50 milhões para garantir o reforço do policiamento.
Além disso, o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) opera 24 horas com mais de 800 câmeras, incluindo 120 dispositivos inteligentes para o cercamento eletrônico. O Regime Adicional de Serviço (RAS) da Polícia Civil também recebeu ampliação, destinando cerca de R$ 7 milhões anuais para permitir a participação de 800 agentes civis nas ações locais.
O secretário de Ordem Pública, coronel Gilson Chagas, reforça que a vigilância deve ser diária e ininterrupta. O objetivo da pasta é transformar as informações captadas pela tecnologia em ações operacionais diretas, ampliando a presença da Guarda Municipal e apoiando as forças estaduais no enfrentamento à criminalidade.
Monitoramento permanente e ausência de feminicídios na cidade
Além dos crimes patrimoniais, Niterói apresenta avanços em indicadores de violência contra a vida e proteção social. A cidade completou 19 meses sem registros de feminicídio, com o último caso datado de fevereiro de 2025. Em setembro, o município também não registrou mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado.
O Pacto Niterói Contra a Violência, iniciado em 2018, já destinou mais de R$ 820 milhões para ações transversais de prevenção e justiça. O programa, que envolve urbanismo social e proteção à juventude, entrou em um novo ciclo de investimentos planejado para o período entre 2025 e 2030.
As prisões em flagrante no município cresceram 14,49% no acumulado do ano, totalizando 1.122 detenções. As apreensões de entorpecentes também seguiram a tendência de alta, com elevação de 29%, refletindo o aumento da produtividade das forças de segurança que atuam de forma coordenada no território niteroiense.






